| 25/04/2008 10:46 |
O que está escondido por La Paz
Além dos meus anfitriões em La Paz, conheci outras três pessoas que se ofereceram para me mostrar um pouco da Bolívia. Nancho, Juan e Germán são amigos de infância do Miguel (tio do meu amigo que está me hospedando) e sempre se encontram para fazer passeios pela cidade. Como eu estava um pouco sem idéia de onde ir no primeiro dia, eles me convidaram para caminhar em uma montanha pouco visitada por aqui.
O bom de andar com pessoas locais é que eles normalmente te levam a lugares onde não há muitos turistas. A montanha da "Muela Del Diablo" (Dente do Diabo, um pico que pode ser visto de muitos pontos de La Paz) não tinha nenhum. Esse lugar inóspito, pertíssimo da cidade, poderia ser um grande ponto turístico, mas felizmente só é ocupado por um pequeno povoado que vive num lugar chamado Vale Escondido. São grandes montanhas áridas com picos muito altos e finos que se alternam com morros esverdeados. Pelo caminho encontramos cavalos, porcos e burrinhos de uma casa isolada no meio da trilha. Uma hora de caminhada, um piquenique no meio do caminho, novos ótimos amigos e não foi preciso muito para fazer um passeio simples e inesquecível.
Nancho, Juan e Germán. Meus novos amigos
À noite, mudando totalmente de clima, ainda visitei dois pubs conhecidos aqui pela decoração: o Antique Pub e o Diesel. O primeiro fica na parte antiga da cidade, um bairro com prédios históricos, museus e boêmia. Como indica o nome, esse bar tem móveis e muitos objetos antigos que vão desde bonecos a luvas de boxe e bicicletas que já são relíquias. O segundo, Diesel, é todo feito com ferro reciclado e em sua decoração estão desde instrumentos musicais pendurados no teto até uma turbina de avião antiga.
 Um monte de coisas velhas e interessantes no Antique Pub
 Ferro e clima industrial no Diesel
A parte antiga de La Paz me impressionou, é bem cuidada e limpa. Em uma das ruas principais do bairro está a Cruz Verde, uma cruz com luz verde e uma placa explicativa que conta que antigamente os moradores acreditavam que a região era ocupada por maus espíritos. A cruz foi colocada lá para alertar as pessoas do perigo e ao longo do tempo os antigos moradores deixaram o lugar com medo e deram espaço aos museus e à boêmia. Mal cheguei a La Paz, mas parece que há muito para ser visto.
 Cruz verde para alertar sobre maus espíritos
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 28/04/2008 14:25 |
Hola São Paulo!
Depois de 27 dias em mais de 13 cidades pela América Latina, estou de volta à São Paulo. A intensidade com que as coisas aconteceram fizeram com que tudo ficasse mais emocionante. Nossa média de estadia em cada lugar foi de um a dois dias e passamos mais tempo em ônibus do que em hotéis. Pelas contas, foram mais de 100 horas rodando por estradas.
Apesar da falta de roteiro e planejamento, tudo deu certo e os problemas que tivemos foram por pura bobeira e ingenuidade e vocês puderam acompanhar aqui no blog. Os países que visitei são lindos e totalmente diferentes um do outro. Aqui no Brasil estamos muito perto de todos eles, mas a impressão que fica é que vivemos em um mundo muito distante. Nossa cultura, nossa história e nossos costumes são muito diferentes dos nossos vizinhos. Parece que a Argentina, o Chile, o Peru e a Bolívia têm um laço mais forte entre si por compartilharem a Cordilheira dos Andes, a mesma língua e a mesma história de colonização. E é por isso que nosso continente apaixonante, por ter ao mesmo tempo semelhanças e diferenças. As diversas manifestações de cultura estão em todos os lugares, a comida é instigante e as pessoas são interessantes.
Essa viagem faz parte de todo um ciclo de mudanças para mim. Entre outras coisas, na semana do embarque recebi uma proposta de emprego e uma noite antes de partir, fui assaltada dentro de um banco. Cheguei ao Brasil no final da quinta-feira (17) e desde essa semana faço parte da equipe do site da revista Época São Paulo, também da Editora Globo, que será lançada nesta sexta-feira (26). Aqui também terei um blog e continuarei falando sobre cidades, mas agora será São Paulo mesmo e sobre toda a agitação que rola na noite.
Os amigos, as paisagens e os acontecimentos dessa viagem não ficarão apenas aqui, estarão sempre na minha memória e no meu coração. Para quem pretende fazer esse roteiro, espero ter sido uma companhia e uma referência. Ainda tenho histórias da Bolívia, da América Latina e de tudo para contar. Ainda não acabou. Me acompanhem. |
Comentários ()
| Permalink |
|
| 29/04/2008 10:59 |
Ruínas na Bolívia
A essa altura da viagem já não tenho dinheiro nem tempo suficiente para fazer muitos passeios, por isso minha estada na Bolívia se resumirá mesmo a La Paz. O famoso Salar de Uyuni, por exemplo, leva ao menos dois dias para ser visto e custa, no mínimo, 100 dólares. Vai ficar para outra vez. O que é perto, barato e eu não podia deixar de ver são as ruínas de Tiwanaku (ou tiahuanaco). Historiadores acreditam que esse sítio arqueológico seja de uma época pré-inca, entre os anos 1.500 a.C. e 900 d.C. De cara, a arquitetura de Tiwanaku já é muito diferente de Machu Picchu. São detalhes e construções totalmente diferentes das ruínas do Peru. Meus amigos Nancho, Juan e Germán me acompanharam até a cidade que fica perto do lado boliviano do Lago Titicaca, a uma hora de carro de La Paz. Como chegamos no final da tarde, o lugar estava vazio, sem os grupos de turistas. Aqui se pode ver muitos detalhes feitos nas pedras e grandes monolitos esculpidos.
 Ponce, monolito em Tiwanaku que leva o nome do seu descobridor
 Porta do sol, considerada um grande monumento pelos seus detalhes e pela precisão da sua construção
 Cara de monolito
Arqueólogos estão atualmente escavando o local à procura de mais informações sobre Tiwanaku. Dizem que há uma pirâmide enorme soterrada aqui. Um museu em frente ao parque tem uma grande coleção de caveiras, cerâmicas e objetos achados ali. Para ver o museu e o parque é preciso pagar 90 bolivianos (menos de 30 reais). Porém, todas as informações estudadas até hoje são incertas e até o período em que esse povo realmente viveu aqui é indefinido. Além do mistério da descoberta por mais informações dessa civilização tão antiga, a estrada que leva até Tiwanaku é uma atração à parte. Por ela é possível ver uma série de picos nevados da Cordilheiras do Andes. Incrível.
Vista da Cordilheira dos Andes entre La Paz e Tiwanaku
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 30/04/2008 11:22 |
Turismo numa metrópole
La Paz é caótica e lembra muito São Paulo. Trânsito infernal, hora do rush, centro financeiro, restaurantes, museus, periferia, centro histórico. Tudo ao mesmo tempo. Muito do que se vê na maior cidade brasileira é encontrado em uma outra versão em La Paz. Em alguns momentos a capital boliviana parece melhor e em outros pior do que a nossa metrópole, mas La Paz é peculiar.
 Centro histórico de La Paz
Talvez por ser pequeno, o centro histórico de La Paz é muito bem cuidado. As ruas são limpas e os prédios antigos não estão caindo aos pedaços. A região é cercada por palácios do governo e museus diversos sobre a história e a cultura boliviana. Por apenas 4 bolivianos é possível rodar por cinco museus (quatro deles integrados) que ficam na mesma rua. De máscaras de festas típicas, a tecidos de regiões específicas do país e peças de ouro encontradas em Tiwanaku. Os museus são uma visão geral do que é a Bolívia, neles conhecemos do descobrimento de uma civilização antiga aos costumes mantidos no país ainda nos dias de hoje. Alguns museus têm visita gratuita e outros cobram até cerca de 15 bolivianos.
 Museu de máscaras
Como em qualquer grande cidade, em portinhas e lugares escondidos é possível descobrir milhares de coisas interessantes. Passei por uma espécie de 25 de março, uma feira de livros e comi um quitute delicioso: buñuelos com api. Buñuelo é uma espécie de bolinho de chuva em formato de pizza e api é uma bebida quente feita com dois tipos de maiz, cravo e canela e que chega a lembrar um pouco o gosto do nosso vinho quente. Me senti à vontade comendo isso num cantinho tranqüilo do centro da cidade para depois de uns minutos começar a andar nas ruas agitadas de novo. Nessa hora deu até saudade de casa.
 Um gostinho de Brasil: buñuelo e api
 Ruas do centro à noite
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 05/05/2008 10:53 |
Calle Sagarnaga e Mercado de Brujas
Por todos os países em que passei nessa viagem era possível encontrar muito artesanato em feiras, em lojas ou nas ruas, mas há um lugar em La Paz em que se vê realmente de tudo. A região da Calle Sagarnaga é cheia de ladeiras e ruazinhas repletas de lojas e mercados de produtos feitos à mão. Andando por ali, vi desde os tradicionais tecidos bolivianos até esculturas em pedras de diversos tamanhos, bolsas, porta-retratos, canetas, ímãs de geladeira. Enfim, tudo o que um turista precisa.
 Rua com lojas de artesanato na região da Calle Sagarnaga
Na mesma área está o chamado "Mercados de Brujas". Não consegui descobri quais as ruas pertencem realmente a essa região, mas trata-se de uma área em que estão à venda animais empalhados e artigos para "bruxaria", muitos importados do Brasil inclusive. São ingredientes usados em simpatias e oferendas. Imagino que algo parecido com algumas coisas de Umbanda e Candomblé que a gente tem aqui.
 Os animais empalhados que estão à venda impressionam no Mercado de Brujas
No meio disso ainda estão ruas muito comerciais com produtos que as pessoas que moram em La Paz realmente compram. São lojas atacadistas de tecido, espécies de "mercadinhos" em barracas na rua que vendem um pouco de tudo, lojas de produtos para a casa e eletrônicos. Nas ruas se vende diversos tipos de maíz e frutas e é possível ver as cholas comendo comida quente como arroz e frango por ali logo de manhã. Elas não gostam de ser fotografadas nem que tirem fotos dos seus produtos, por isso, não poderei mostrar muito aqui.
 É possível encontrar de tudo nessas ruas. Na foto, doces e pipocas
A Calle Sagarnaga e o "Mercado de Brujas" são regiões obrigatórias para quem visita La Paz. Dá para passar muitas horas caçando artesanatos e bugigangas interessantíssimas por ali.
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 06/05/2008 10:46 |
Família boliviana
Atravessar a rua em La Paz é uma aventura. São pouquíssimos os ônibus na cidade e os que existem são muito antigos. A maior parte do transporte público é feita por vans e elas param em qualquer lugar, fora do ponto ou literalmente no meio da rua para pegar ou deixar passageiros. Parece que não há regras no trânsito. Como quase não existem motos na rua, os pedestres também atravessam fora da faixa, em qualquer lugar. É preciso correr e driblar alguns carros para conseguir chegar ao outro lado da rua na hora do rush. O trânsito é infernal e demora-se muito tempo para chegar de um ponto a outro da cidade.
 Ônibus antigo de La Paz
Porém, isso não tira a simpatia de La Paz. Essa foi a cidade em que eu mais passei tempo (cerca de quatro dias) e posso dizer que fui muito bem recebida. As pessoas que me acolheram estiveram o tempo todo comigo, me dando informações sobre a cidade e a cultura da Bolívia. São muitos os lugares e os sentimentos desse país. Apesar de só ter ficado em uma cidade, percebi como são fortes os costumes aqui e como é imensa, linda e interessante cultura boliviana, que envolve música, festas comidas e histórias.
 Praça no centro da cidade
No meu último dia em La Paz, Albina (a tia do meu amigo me convidou para almoçar na casa dela e costurou bandeiras dos povos originários para mim. Na última parte da viagem, em que eu estava sem as minhas amigas (que voltaram para o Brasil), senti que ganhei uma família boliviana.
 Armando, Albina, Ernestina e Miguel em almoço caseiro
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 08/05/2008 10:58 |
Quanto custa a Bolívia
A Bolívia é o país mais barato dos que eu visitei. Um Real vale mais de 3 bolivianos e tudo custa muito pouco. Com as coisas a um preço tão baixo, vale a pena se dar ao luxo e comprar tudo o que der vontade, sem economizar.
- Uma refeição - de 10 a 30 bolivianos - Uma hora de internet - 3 bolivianos - Uma garrafa de água - 2,50 bolivianos - Transporte de ida e volta a Tiwanaku - cerca de 50 bolivianos - Ingresso ao parque arqueológico de Tiwanaku - 90 bolivianos - Hospedagem em albergue - cerca de 15 dólares
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 09/05/2008 10:59 |
Registros de viagem
Uma das coisas mais legais de uma viagem são as lembranças. Afinal, é isso que guardamos das coisas boas. Conheci muita gente pelo caminho que, como eu, fazia diários virtuais ou mesmo escrevia em cadernos de anotações.
Para ter alguns momentos retratados de forma diferente, além da câmera digital, levei outras duas "lomos". Essas são máquinas automáticas de alta sensibilidade que tiram fotos com um aspecto diferente. São vários os tipos de câmeras, desde as que têm filtros coloridos até outras que tiram fotos em seqüência com diversas lentes.
Foi a primeira vez que as usei e com uma eu fiz algo errado porque o filme saiu em branco. A outra era essa que eu citei de fotos em seqüência. Quando revelei os filmes fiquei muito feliz com o resultado e lembrei de muitas cenas que vivi durante a viagem. Essas fotos foram uma brincadeira, mas essa eu posso pegar na mão e lembrar de tudo o que aconteceu para sempre.
 Naélia no Atacama
 A Luciana e eu escorregando na neve em Ushuaia
 O legal dessa câmera é tirar fotos de cenas com movimento
Teste com uma das lhamas de Machu Picchu
|
Comentários ()
| Permalink |
|
|
 |
 |

Quem é a blogueira
Regiane Teixeira, 24 anos, é jornalista e se aventura com duas amigas num mochilão durante um mês pela América Latina.

|
| |
|