| 10/04/2008 10:38 |
Feliz cumpleaños
Dia 7 de abril foi aniversário da Luciana. Mesmo morrendo de preguiça, acordamos às 3 horas da manhã pensando que iríamos comemorar tomando café da manhã vendo o sol nascer à beira dos gêiseres do vulcão Tatio. Ledo engano. O passeio contava com um motorista que era também o "guia" e depois de duas horas dentro de uma van que parecia mais um liquidificador descobrimos que ninguém nos avisou que fazia cerca de zero grau no local que visitaríamos. Quase congelamos literalmente. Fomos com pouca roupa, sem luvas ou touca. Eu fiquei com os dedos roxos e a Naelia passou mal, não sabemos se pelo frio ou pela altura.
 Quase congelei nos geiseres do Tatio
Apesar do sufoco, essa parte do deserto do Atacama é linda. Os gêiseres são buracos que ficam um terreno muito próximo do vulcão Tatio dos quais saem fumaça, lama e água fervente que chegam a 7 metros de altura. Mais um cenário de filme. Segundo nosso motorista/guia a temperatura da água de um gêiser pode chegar a 85 graus. Há ainda uma piscina com águas termais na qual a temperatura chega a 35 graus e quem quisesse podia tomar um banho ali. Eu não tive coragem porque entrar é fácil, o difícil seria sair. Mas muita gente aproveitou. Na volta passamos em um pequeno vilarejo chamado Machuca onde se podia comer um espetinho de lhama ou uma espanada de leite de queijo de cabra. Ambos uma delícia.
 Muita gente aproveitou pra tomar um banho quente no deserto quando a temperatura estava por volta dos 8 graus
 Lhama no caminho de volta para São Pedro do Atacama
Depois de enfrentar mais um "rally dos sertões" com curvas em alta velocidade que o nosso motorista arriscava, chegamos ao hostel e de cara fizemos uma amiga daquelas que parece que já conhecemos há anos. Anabelle é israelense, mas mora em Nova York e um simples comentário sobre uma bolsa da Naelia fez com que engatássemos uma conversa empolgadíssima.
 Conhecer a Anabelle ajudou a salvar o dia
Ela acabava de chegar do Peru e da Bolívia (nossos próximos destinos) e nos deu diversas dicas importantes. Cantora, disse que adora Gal Costa, que tem família em São Paulo, mas que, infelizmente, nunca visitou o Brasil. Trocamos contatos, músicas e, no fim, até que o aniversário da Lu não foi tão ruim assim. A comemoração daqui a pouco no ônibus para Arica.
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 14/04/2008 11:30 |
Quanto custa o Chile
De todos os países que visitarei, com certeza, o Chile é o mais caro. Desde que chegamos, percebemos isso. Um Real vale cerca de 264 pesos chilenos, o que dá pra comprar pouca coisa, como uma barra de chocolate pequena, talvez. Esse esquema monetário chileno também é difícil para nós turistas e faz com que a gente perda a noção de quanto está pagando por algo, às vezes. A maioria das coisas custa mais de 1.000 pesos. Vejam só. Diárias de albergues por cidade: Puerto Varas - 7.000 pesos Pucón - 5.000 pesos Valparaíso - 5.500 pesos São Pedro de Atacama - 5.000 Passeio ao Vulcão Villarrica - 35.000 + 5.000 de teleférico Passeio de barco no Lago Todos los Santos - 6.000 por meia hora no barco (dividimos esse valor entre três, que deu 2.000 para cada uma) Passeio ao Vale da Lua, no Atacama - 4.000 + 2.000 de entrada no parque (estudante paga 1.500) Passeios aos Geisêres do Tatio, no Atacama - 14.000 + 3.500 de entrada no parque (estudante paga 1.500) Passagem de ônibus de Puerto Varas a Valdívia - 13.000 pesos Passagem de ônibus de Valdívia a Pucón - 6.000 pesos Passagem de ônibus de Pucón a Santiago - 23.500 Passagem de ônibus de Santiago a São Pedro do Atacama - 28.500 pesos Passagem de Santiago a Valparaíso - 3.000 Uma hora de internet no Chile custa de 700 a 1.000 pesos Água mineral de 1,5 litro - de 500 a 1.000 pesos Refeição em restaurante - de 3.000 a 5.000 pesos Empanada (quitute típico daqui que parece um pastel ou uma esfirra, dependendo do lugar) - de 500 a 1.500 pesos
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 15/04/2008 11:23 |
Medo e delírio no Peru
Foram 11 horas de São Pedro do Atacama até Arica, no Chile. De lá, mais 2 horas até Tacna, na fronteira com o Peru. Daí, mais 7 horas até Arequipa, já em território peruano, e ainda mais 6 horas até Puno. O dia foi longo. Saímos à noite de São Pedro e chegamos no dia seguinte pela manhã em Arica. Pensávamos em ficar um dia lá e um em Arequipa, mas logo percebemos que não haveria tempo suficiente e escolhemos ir para Puno, onde está o famoso Lago Titicaca. Na rodoviária de Arica, um funcionário de uma empresa de ônibus nos disse que seria mais barato se fossemos em um ônibus normal até Tacna e de lá pegássemos um outro até Arequipa. Assim fomos e mesmo ainda um pouco longe da fronteira, já nos sentíamos no Peru. O clima, os ônibus e as pessoas já eram muito diferentes do que tínhamos visto até então. A comida peruana parecida bem mais atraente do que a chilena já no terminal rodoviário de Tacna e provamos um caldo de galinha delicioso e uma garrafa de Inca Kola (refrigerante muito vendido na região com gosto de pasta de dente de tutti-frutti).
 Caldo de galinha e Inca Kola na rodoviária
Minutos depois de chegarmos a Tacna, já seguíamos em outro ônibus em direção a Arequipa. Nessa rota alternativa que pegamos, éramos as únicas estrangeiras no ônibus, e isso nos assustava. Apesar de se tratar de uma viagem de muitas horas em um ônibus executivo, parávamos toda hora para pegar mais passageiros na rua. Durante o trajeto, pessoas deficientes pediam dinheiro depois de cantar uma música e vendedores ambulantes ofereciam seus produtos que iam desde tênis usados (e aparentemente roubados), a refrigerantes suspeitos e comidas que nunca havíamos visto. Os alertas sobre o perigo de assaltos a turistas e contaminação por comida e bebida no Peru somados ao que víamos nos deixou tensas. Aqui os locais se vestem de maneira bem diferente. As cholas, mulheres que usam roupas tradicionais (saias, trancas longas e chapéus) estão por todo o lugar e todos têm fortes traços de índios, olhos levemente puxados e a cor da pele mais escura. Com isso, nos destacamos como gringas no meio do povo.
 Peruana esperando ônibus em Arequipa
As estradas no Peru também chamam a atenção. Diferente do que vimos na Argentina e no Chile, os desertos pelos quais passam as rodovias são mau cuidados e extremamente sujos. Ninguém sente pudor em jogar uma garrafa plástica, um pacote de salgadinho ou um pneu na rua.
 Estradas para Arequipa
Chegando a Arequipa, embarcamos direto em outro ônibus para Puno. A viagem, que deveria durar 4 horas, ficava mais tensa e mais longa a cada vez que o motorista parava no meio da estrada, saia do ônibus e sumia. Em alguns momentos, quase todas as pessoas desciam para saber onde estava o nosso condutor e voltavam minutos depois como se nada tivesse acontecido. O calor dentro do ônibus, sem janelas que abriam e sem ar-condicionado, era insuportável quando descobríamos outros dois turistas em nossa companhia, um rapaz e uma mulher da Espanha.
Com 2 horas de atraso, morrendo de medo, chegamos à estação de Puno à meia noite. Sem hospedagem marcada, colamos nos espanhóis para saber onde eles iam ficar e tentar arrumar um quarto num lugar seguro. Descemos do ônibus e percebemos que moradores de rua dormiam em frente às plataformas do terminal, tudo estava deserto e não havia sequer um táxi em vista. Por uma coincidência, ou destino, neste momento avistamos um rosto amigo. Era o Kyan, o australiano que mora na Alemanha que estava no nosso grupo na subida ao vulcão Villarrica.
 Kyan, nossa salvação
A felicidade por encontrar alguém conhecido àquela hora era tanta que creio que ele até se assustou com a nossa reação. Keyan esperava uma mulher que o levaria ao seu hotel e, com a esperança de conseguir um lugar para ficar, fomos junto. Yovana, a moça que estava organizando algumas coisas da viagem do Kyan nos conseguiu um quarto no mesmo hotel dele com três camas e banheiro privado por 10 dólares para cada uma. Era até difícil acreditar. Finalmente o dia tinha acabado.
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 16/04/2008 11:07 |
Lago Titicaca e Ilha Taquile
Depois da chegada tensa ao Peru, saímos para conhecer o Lago Titicaca. Desde criança, eu ouço a falar sobre esse lugar. O Titicaca está entre o Peru e a Bolívia, é o segundo maior lago da América Latina e o lago navegável mais alto do mundo.
 Chegada ao Titicaca
Nele há 40 ilhas flutuantes feitas de uma planta chamada totoro onde vive uma comunidade muito simples. É como entrar em outro mundo pisar em Uros (nome da ilha), uma cidade num lago, e ver os moradores com seus costumes tão tradicionais. O passeio foi muito rápido e visitamos apenas uma das ilhas pequenas, mas a sensação que fica é que o Peru preserva muito da sua cultura. Os moradores vivem do turismo e do artesanato e os mais velhos quase não falam espanhol, mas sim o quechua, um dialeto da época dos incas.
 O artesanato no Titicaca é lindo, barato e ajuda os moradores
Ainda no Titicaca fomos a um lugar ainda mais inóspito, a Ilha Taquile. Nesse local, vive uma comunidade que conserva tradições e costumes ainda mais intactos. Homens, mulheres e crianças se vestem de maneira diferente mesmo das pessoas mais tradicionais que vivem nas cidades. Cada chapéu e peça de roupa usada na ilha tem um significado. É a diferença na cor de um gorro, por exemplo, que indica se um homem é solteiro ou casado.
 Mulheres trabalham na reforma do porto de Taquile
Almoçamos peixe e sopa de quinua (um cereal muito plantado e utilizado na região) feito pelos moradores numa mesa ao ar livre na ilha, dançamos com eles e passamos uma tarde incrível em Taquile. Um passeio ao passado. |
Comentários ()
| Permalink |
|
| 17/04/2008 11:15 |
Puma, condor e serpente
Chegamos a Cusco, a antiga capital do império Inca, e logo cedo saímos para visitar o Vale Sagrado. Esse é um lugar histórico muito importante que fica entre dois povoados próximos de Cusco. Os incas tinham nesse vale um dos seus principais pontos de plantação e ainda é aqui que se produz o melhor grão de maíz (espécie de milho) no Peru. O Vale Sagrado é rodeado por diversos rios, povoados indígenas e ruínas incas. Pela primeira vez pudemos sentir o poder a engenhosidade dos incas, esse povo isolado que no século XI já dominava conhecimentos de astronomia, arquitetura e engenharia, entre muito outros. A vista do Vale Sagrado é impressionante e imponente.
 Ruínas incas no Vale Sagrado
 A flauta peruana que é famosa em São Paulo em sua versão original no Vale Sagrado
Contratamos o passeio pela Yovana, que nos conseguiu hotel em Puno e aqui. Existem diversas pessoas que prestam esse serviço informalmente. Não gostamos de fazer esse tipo de passeio rápido e agendado, mas como nos falta tempo, essa era a melhor opção. O tour foi corrido. Das 8 às 18 horas da tarde visitamos e andamos por três cidades incas: Pisac, Ollantaytambo e Chinchero. É um passeio histórico, pra quem gosta de ver ruínas e ouvir muitas lendas.
Nosso guia se intitulava "o mensageiro andino" e nos chamava a todo o momento de pumas, condors e serpentes, animais sagrados na cultura inca. Essa trilogia é onipresente. Cidades e monumentos foram construídos com as formas desses animais. Para os incas, o puma representava forca e inteligência, o condor é o mensageiro dos deuses e a serpente, o infinito. Mas o contexto histórico é muito amplo e complexo. Todos os passeios dão uma visão geral e rápida dessa cultura, mas é difícil compreender e captar todas as informações em um fluxo tão rápido.
 Mulheres explicam o processo de tingimento e produção dos tecidos
 Feira de artesanato em Chinchero
Muitos turistas sabem toda a história e as denominações em quechua de diversas coisas e lugares. Tudo que se faz aqui é um mergulho nas tradições peruanas. Tudo é muito rápido e com muita gente, mas a vista desses lugares e a inquietação que vem à cabeça sobre tudo o que aconteceu aqui e como esses povos viveram e vivem é para se lembrar para sempre.
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 18/04/2008 11:26 |
De frente com o passado
Chegou o dia de ir Machu Picchu. É como entrar num livro de História ver essa gigantesca obra de arquitetura e engenharia realizada pelos incas. Pegamos uma van, um trem até a cidade de Aguas Calientes e outra van até o topo da montanha onde estão as ruínas.
 Trem para a cidade de Aguas Calientes, a mais próxima de Machu Picchu
Machu Picchu é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e como um dos locais mais visitados do mundo chega a perder um pouco do seu encanto. São muitas pessoas tirando fotos, filmando e se trombando a todo o momento. É muito difícil conseguir tirar uma foto sem que um estranho apareça.
 Cerca de 700 pessoas viveram na cidade entro os séculos XI e XVI. Segundo os historiadores Machu Picchu levou de 50 a 80 anos para ser construída
O lugar é incrível, a mais de dois mil metros de altura (que não é o lugar mais alto do Peru) e parece ser o topo do mundo. Não consigo pensar como as pessoas viviam ali e muito menos em como a cidade foi construída. O passeio é caro, pagamos 190 dólares (mas custa cerca de 170), e cheguei a pensar se valia mesmo a pena. Agora não me arrependo.
 Vista geral de Machu Picchu
Por todos os lugares estão novamente os onipresentes puma, condor e serpente. A forma dos animais pode ser vista, ou imaginada, em montanhas, pedras e construções. Além disso, 20 lhamas vivem no local e passeiam tranqüilamente entre os turistas. Segundo nosso guia, o animal mais comum na região é o urso! Coisa que eu nunca imaginaria. Muita gente opta por fazer o antigo caminho dos incas, no qual se anda e acampa por cinco dias até chegar a Machu Picchu. É preciso ter disposição. O nosso passeio durou um dia e pra mim bastou.
No caminho para a cidade conhecemos uma figura, o Rocco, um italiano falante e divertidíssimo que nos acompanhou na van e no trem. Ele é cozinheiro e está no fim de uma viagem de 40 dias com um amigo pelo Peru. Eles iriam dormir em Aguas Calientes e subiriam a Machu Picchu no dia seguinte de madrugada porque dizem que pela manhã a vista é mais bonita e o lugar, com certeza, mais vazio. Há varias opções de passeios para todos os gostos, a que escolhemos foi uma das mais baratas.
 Rocco é italiano, viaja pelo Peru e já morou seis anos no México e dois na Costa Rica
Nosso trem de volta era o último, às 19 horas. Depois da viagem de uma hora e meia, imaginamos que alguém do passeio que contratamos deveria estar nos esperando. Pois não estavam e já não havia nenhum ônibus circular que iria ainda naquele dia para Cusco. Por sorte, encontramos outras três pessoas que também estavam sem condução. Andamos até a praça da cidadezinha onde pegamos o trem e todos os táxis nos cobravam 20 soles (cerca de 10 reais) por cabeça para nos levar a Cusco. Conseguimos um por 12 soles e nos apertamos todos no carro. Mais uma aventura. Na estrada ruim, sem luz, num carro caindo aos pedaços ainda fomos parados pela polícia por excesso de passageiros. Seguimos a longa viagem e chegamos a Cusco às 23 horas. A essa hora, nada pior do que não saber o nome da rua do hotel em que estamos. Mobilizamos toda a polícia do centro da cidade e finalmente conseguimos chegar ao hostel depois da meia-noite. Com certeza não esquecerei Machu Picchu.
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 18/04/2008 17:59 |
Quanto custa o Peru
Fiquei muito tempo no Peru, mas senti que aqui as coisas são um pouco mais baratas. Apesar de as coisas mais turísticas serem muito caras, dá pra conhecer o país com pouco dinheiro. Um Real vale cerca de 1,60 sol (moeda peruana) e um dólar vale cerca de 2,70 soles.
Diárias de albergues por cidade: Puno - 27 soles Cusco - 46 soles Passeio ao Lago Titicaca e Ilha Taquile - 20 dólares (com almoço incluso) Passeio ao Vale Sagrado - cerca de 150 soles Passeio de um dia a Machu Picchu - Pagamos 190 dólares, mas sai 170 em média Passagem de Arequipa a Puno - 13 soles Passagem de ônibus de Cusco a La Paz - de 50 a 100 soles Àgua mineral 2 litros - 3 soles Refeição em restaurante - de 6 a 20 soles Uma hora de internet - 1,50 sol
|
Comentários ()
| Permalink |
|
| 22/04/2008 11:02 |
Roubadas de viagem
Os problemas com a agente de viagens que estava organizando algumas coisas pra nós começou quando não havia ninguém nos esperando depois do passeio a Machu Picchu para nos levar de volta ao hostel. No mesmo dia, íamos pagar as duas diárias que devíamos. O recepcionista do hotel nos cobrou 46 soles para cada uma de nós, enquanto o que havíamos combinado com a Yovana (a agente) era 40 soles. Prevendo o início de uma confusão, o rapaz disse que tudo bem, que não precisávamos pagar naquela hora porque a Yovana tinha ficado de pagar o hostel e nós pagaríamos para ela. Pois bem. A Naelia e a Luciana foram embora porque precisam voltar a trabalhar e eu fiquei em Cusco. Vou seguir sozinha para a Bolívia.
Enquanto elas saíram pela manhã para pegar o vôo de volta ao Brasil, eu deixei para passar o dia em Cusco e fazer o trajeto à noite, assim economizo uma noite em hotel. Assim que desci no lobby, a turbulência começou. Me cobravam a minha diária e a das meninas, ninguém sabia quem era a Yovana e se ela ia mesmo pagar. A tensão rolou durante o dia. Eu que pensava em passear por Cusco, não consegui parar de pensar em ter que pagar os 138 soles das diárias do albergue e perder os 100 soles da minha passagem para La Paz e os 20 dólares de hostel que eu já tinha pagado para a Yovana. Realmente fomos ingênuas e caímos num velho conto do vigário. Entregamos nossas vidas a essa mulher sem sequer perguntar o nome e o endereço da agência para qual ela trabalhava.
No final do dia, consegui falar com a Naelia para saber se elas tinham pagado a diária a Yovana que as estaria esperando em Puno (escala na rota rodoviária para La Paz). Ela disse que sim e eu me tranqüilizei. Quando voltei ao hostel à noite e disse que as meninas haviam pagado para Yovana e que ela pagaria, me disseram que haviam ligado pra Yovana e que ela disse que ninguém a havia pagado. É meus amigos. Nem tudo e tão bonito assim. Às 22 horas eu seguiria para La Paz e alguém que trabalha com a Yovana deveria me buscar no hostel para me levar à rodoviária. Já temia ter que ficar mais um dia em Cusco quando a mãe da moça apareceu e disse que, sim, as meninas tinham pagado a diária do hostel a alguém em Puno e que no outro dia a Yovana pagaria a eles as diárias. Eu já havia pagado a minha parte pela manhã. Enfim, fomos a rodoviária e embarquei a La Paz. Só queria sair dali.
 Ruínas históricas nas ruas de Cusco
Apesar de tudo, andei um pouco por Cusco e, mesmo vendo pouco, é impossível não dizer que a cidade é linda. Construções imponentes do século passado e ruínas incas estão pelo meio das avenidas. As pessoas são simpáticas e as ruas são limpas. Almocei um prato típico com sopa (que acho que tinha uns miúdos que não tive coragem de comer), arroz, feijão e carne (delicioso) e chicha, uma bebida típica daqui feita com maiz (espécie de milho), uva e maças (maravilhoso).
 Almoço típico. A versão peruana para arroz, feijão e carne assada
 Chicha, bebida tradicional feita de maiz
Ainda fui ao mercado municipal da cidade onde os locais compram suas roupas e comidas. Era muito grande e tinha coisas muito interessantes, fiquei com um pouco de medo de andar por ali. Infelizmente não se pode confiar em todo mundo aqui e em qualquer lugar. Comprovei isso. Ainda mais agora, sozinha.
 Mercado municipal de Cusco |
Comentários ()
| Permalink |
|
| 23/04/2008 11:10 |
Hay personas y personas
Contratamos a Yovana (guia que nos estava ajudando nas hospedagens, passagens e passeios) porque estávamos com medo de sermos enganadas por alguém no Peru. Não adiantou nada, fomos enganadas do mesmo jeito. Eu havia pagado a ela por dois dias de hospedagem em algum hostel em La Paz (20 dólares) e alguém deveria me buscar na rodoviária lá e me levar até esse lugar. Claro que cheguei ao terminal de La Paz e ninguém estava me esperando. Caí num golpe. Por sorte, um dos meus melhores amigos no Brasil tem família boliviana e, com o que havia ocorrido no último dia em Cusco, já o havia avisado que talvez precisasse de ajuda. Liguei para ele e seu primo já estava até me esperando na rodoviária. Perdi pouco dinheiro, mas mesmo assim a situação é muito chata. A Naelia e a Luciana também haviam pagado a Yovana pelo albergue em La Paz no dia anterior a mim e ficaram na mão.
 Família Cervantes - Alberto, Miguel, Ernestina e Maurício
Apesar desse transtorno, fui muito bem recebida em La Paz pela família do meu amigo. Eles moram perto do centro da cidade e estão sendo extremamente gentis e solícitos comigo. Miguel (tio do meu amigo) e Maurício (primo) me levaram para almoçar com os avós do meu amigo (pais do Miguel). Comemos um prato típico daqui, um Chicharron, que tem carne de porco e um tipo diferente de milho. Eu já tinha visto isso no Peru, mas não tive coragem de experimentar. É delicioso.
 Chicharron / carne de porco e milho (ou maiz)
Estou hospedada na casa do Miguel e do Maurício. O Miguel trabalha em uma ONG holandesa que ajuda mulheres mineiras da Bolívia e o Maurício tem uma empresa de informática. Os dois sabem muito da história da Bolívia e sempre falam de política e dos principais pontos de La Paz. Os avozinhos que foram almoçar conosco são uma graça. Ernestina, a avó, tem 87 anos, é falante e pergunta muitas coisas. O avô, Alberto, tem 88 anos e quase não fala. Ambos são evangélicos e se vestem de maneira formal, segundo Miguel, porque são evangélicos. Fofos. A cidade é gigantesca, muito maior do que eu imaginava. Por todos os lados que se olha estão casas inacabadas e pessoas andando com sofisticados carros japoneses. Tudo aqui é subida e descida. Aqui há uma parte alta e uma baixa e da até tontura de andar muito de carro.
 Fomos em um mirador no alto de La Paz. A cidade é gigante
Na coleção de pessoas bacanas que conheci durante a viagem ainda está um casal de argentinos que estava no mesmo ônibus que eu de Cusco a La Paz. Patrícia e Gabriel perceberam que eu estava sozinha e em todas as paradas me faziam companhia. Eles adoram o Brasil e estão viajando pela Bolívia e pelo Peru. A Patrícia também faz um diário num caderno sobre essa experiência e anota os preços de tudo o que eles gastam. Os dois já haviam passado por La Paz e me deram dicas sobre passeios. E assim sigo aqui a viagem, com pessoas boas e ruins pelo caminho. Deve fazer parte da experiência.
 Os argentinos Patrícia e Gabriel na fronteira entre Peru e Bolívia |
Comentários ()
| Permalink |
|
|
 |
 |

Quem é a blogueira
Regiane Teixeira, 24 anos, é jornalista e se aventura com duas amigas num mochilão durante um mês pela América Latina.

|
| |
|