26/03/2008 14:44
Bem-vindos ao fim do mundo

Sem saber o que fazer durante as minhas férias, há alguns meses lembrei que uma amiga havia comentado que pretendia fazer uma viagem pela América Latina. Não pensei duas vezes e decidi que iria junto. É um trajeto que sempre quis fazer e com companhia seria melhor ainda.


Agora somos eu, minha amiga Naélia (que estudou comigo na faculdade) e a amiga dela, que agora é minha também, Luciana.


Naélia e Luciana sao as amigas que viajam comigo


Não há nada planejado, mas o roteiro começou literalmente pelo fim do mundo. Viemos direto de São Paulo, com escala em Buenos Aires, para Ushuaia, uma cidade ao Sul da Argentina que é muito próxima da Antárdida e é considerada o "fim do mundo". A idéia é conhecermos a Patagônia argentina e chilena, Chile, Bolívia e Peru em cerca de um mês com pouco dinheiro e mochila nas costas.


Ushuaia é uma cidade rodeada por montanhas com picos cobertos de neve. Nessa época do ano, não há estações de esqui, mas existem dezenas de coisas para se fazer. A vegetação é linda, com plantas e árvores de todas as cores.


Nosso tempo é curto, mas em dois dias visitamos o Parque Nacional Terra do Fogo, que é uma grande mata, o Glacial Martial, uma região que no inverno é coberto de neve, mas que agora no outono tem pouco gelo. Nesse passeio pegamos um teleférico e fizemos uma caminhada para subir uma montanha enorme até a parte onde há gelo e descemos em mais uma hora. O caminho é muito difícil. É preciso enfrentar uma subida muito ingrime com terra molhada e pedras e um frio extremamente cortante, mas vale a pena.


É incrível que, enquanto nos achamos grandes aventureiras por estarmos aqui, pessoas com mais idade e casais com crianças enfrentam os mesmos desafios sem reclamar.


Ushuaia ainda é uma região que abriga uma infinidade de espécies de pássaros, leões marinhos, focas e pinguins, entre diversos outros animais.



Leões marinhos e pássaros em Ushuaia


Fizemos um passeio de cinco horas em um catamarã e vimos alguns desses bichos. O preço é um tanto salgado (180 pesos por pessoa, cerca de 90 reais), mas a diversão é garantida. Afinal, nao é toda hora que se pode ver um grupo de pinguins por aí.

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27/03/2008 11:05
Mudança no roteiro


Chegamos a El Chálten, um povoado na Argentina em que há grandes montanhas e é muito procurado por escaladores profissionais. Nossa idéia original era partir direto de El Calafate para Bariloche de ônibus, mas só conseguimos passagens para daqui a dois dias, por isso viemos a El Chaltén. O lugar é muito pequeno e tem apenas cerca de 700 habitantes. Quase não conseguimos um lugar para ficar quando chegamos porque há poucos albergues.


Aqui os passeios são de graça e pela primeira vez gastaremos pouco para ver algo. A pesar de ser um local turístico, tudo que se faz por aqui exige fôlego. Em El Chálten os passeios consistem em caminhada nas montanhas com muito frio, vento e, talvez, gelo. Amanhã faremos uma caminhada de 10 horas e, daqui mesmo pegaremos o ônibus que leva dois dias para chegar a Bariloche pela rota 40. Essa rota é muito famosa e solicitada. Seu caminho segue pelas bordas da Cordilheira dos Andes e dizem que passa por antigas rotas de índios. Durante todo o trajeto, o ônibus faz apenas uma parada de duas horas. As surpresas estão surgindo aos montes pelo caminho. Veremos o que essa rota nos guarda.



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28/03/2008 12:51
Survivor

Em alguns momentos dessa viagem me sinto em um reality show como o antigo "No Limite" ou o atual "The Amazing Race". Depois de enfrentar 9 horas em uma trilha, posso afirmar: é preciso muita disposição e saúde para conhecer a Patagônia. Morros, terra escorregadia e vento forte e gelado não é para qualquer um. Confesso que se estivesse sozinha, não teria coragem de fazer metade dos passeios que já fiz, mas as minhas companheiras Naélia e Luciana são daquelas que pulam de alegria ao verem uma montanha. Na verdade, sou muito mais uma grande cidade do que um vilarejo, mas acho que a experiência é muito válida e importante. Não reclamei do trekking, mesmo cansada e tropeçando em uma pedra ou galho de árvore, em média, a cada 10 minutos.


Como no reality, além do esforço físico, também há a pressão psicológica. Ontem em nosso albergue uma garota chegou se sentindo muito mal depois de caminhar horas no gelo. Isso movimentou a todos, pois o dono do hostel obrigou que os amigos dela chamassem um médico para que ele dissesse o que estava acontecendo. Parece que ela estava com dores musculares e muita febre. Fiquei impressionada com a história na hora e com medo de sair para a trilha, mas fui ainda assim. Mesmo para quem não é aventureiro profissional, digamos, ou não é acostumado com a coisa, é muito importante usar roupas adequadas ou equipamentos quando for fazer esse tipo de atividade. Eu e a Luciana não tínhamos tênis adequados, mas compramos aqui. Em todas as cidades existem muitas lojas de roupas boas e muitas vezes sai mais barato do que no Brasil.



Monte Fitz Roy encoberto pelas nuvens. Tem gente que vem para fazer escalada nele


Depois da caminhada, comecei a gostar mais de El Chaltén. Sem querer, chegamos perto da montanha Fitz Roy, que é imensa e imponente. Não conseguimos enxergar nem seu pico, que estava encoberto por nuvens. Valeu o esforço. El Chaltén é um lugar muito pequeno, mas que, infelizmente, está em construção. Por toda parte vemos dezenas de obras e creio que logo será uma cidade totalmente planejada.


Outra boa supresa foi encontrar em nosso albergue uma russa que fala Português. Yana não é russa de verdade, mas preferiu dizer que sim num primeiro momento. Ela é da Moldávia, uma república que fez parte da extinta União Soviética. Nossa amiga é pianista profissional e mora em Nova York há 9 anos. Foi lá que ela conheceu um brasileiro que foi seu namorado e lhe ensinou Português. Apesar de conversarmos pouco, simpatizamos com ela de cara. Extremamente inteligente, Yana fala diversas línguas e gravava nossa conversa para ouvir depois e aprender mais de nossa língua. Ficamos impressionadas com sua desenvoltura e perspicácia. É difícil encontrar alguém assim.



Lá no fundo nossos amigos Alejando e Yana. Na frente Luciana e Naélia





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31/03/2008 14:20
Quanto custa a Patagônia Argentina

Eu, pessoalmente, nunca ouvi muito falar da Patagônia como um lugar turístico. Não tanto como a Europa ou o Nordeste brasileiro, por exemplo. Acho que isso é um bom sinal. Vale muito a pena viajar por aqui, ainda mais agora que o câmbio valoriza o Real. Um real vale cerca de 1,83 pesos e com isso as coisas que já não são tão caras aqui, ficam mais baratas para nós. Vejam alguns exemplos de preços por aqui:


Diárias de albergues por cidade:
- Ushuaia 26 pesos
- El Calafate - 28 pesos
- El Chaltén - 30 pesos
- Bariloche - 36 pesos

Passeio para ver os pingüins em Ushuaia - 185 pesos
Passeio até a geleira Perito Moreto em El Calafate - 168 pesos
Passagem de ônibus circular em Bariloche - 1,30 peso
Passagem de ônibus de El Chaltén até Bariloche pela rota 40 - 270 pesos
Passagem de ônibus de El Calafate para El Chaltén - 50 pesos
Passagem de ônibus de Bariloche para o Chile - 70 pesos
15 minutos de internet em El Calafate ou El Chaltén - 3 pesos
15 minutos de internet em Bariloche - 1,25 peso
Tênis para trekking - cerca de 180 pesos
Garrafa de vinho no supermercado - cerca de 8 pesos
Jantar em restaurante - cerca de 40 pesos
Pacote de macarrão no supermercado - cerca de 4 pesos
Garrafa de água de 1,5 litro no supermercado - cerca de 1,50 peso


Na Argentina existe um meio de transporte chamado remis. É uma espécie de táxi que combina o preço da viagem com o passageiro antes. Normalmente sai mais barato que o táxi normal.

Os preços variam de acordo com as cidades, com as temporadas e sempre vale a pena pechinchar. De qualquer maneira, a Patagônia argentina é lugar lindo que está muito perto da gente no Brasil. Eu trouxe 3 mil reais em dólares e espero que durem até o fim da viagem. Comecei a economizar.

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31/03/2008 14:25
32 horas pela rota 40

Chegamos a Bariloche, nossa última parada na Argentina. A viagem de ônibus pela rota 40 passou mais rápido do que eu imaginava. A vista dos arredores da Cordilheira dos Andes não era tão sensacional quanto esperávamos, mas mesmo assim a viagem compensou as 32 horas.



Paisagem vista do ônibus pela rota 40. Lá no fundo está a Cordilheira dos Andes


Um fenômeno curioso ocorre na Argentina e pôde ser notado no nosso ônibus: o grande número de israelenses que há aqui. Nossa amiga da Moldávia, Yana, já havia nos desvendado esse mistério. Ela nos contou que o motivo de vermos tantos deles pela Argentina é que todos os jovens de Israel (homens e mulheres) passam pelo serviço militar e vão para a guerra. Lá ficam cerca de 2 ou 3 anos e quando são dispensados recebem dinheiro do governo para começarem suas vidas. Parte dessa grana eles usam para viajar e se divertir um pouco. Percebemos que eles sempre andam em grupo e parecem não são muito simpáticos. Falavam de nós sem pudor nenhum, mesmo vendo que percebíamos.


Descontando o fato de termos sentado nas últimas poltronas (perto do banheiro e do lixo) e de o ônibus parecer estar em turbulência o tempo todo, ainda pensamos estar em Portugal e não na Argentina. No meio da rota 40 o ônibus nos deixou por 30 minutos na cidade de Perito Moreno para que a companhia limpasse o ônibus, voltou para nos pegar, andou 60 quilômetros até a cidade de Antiguos e depois voltou de novo para Perito Moreno para seguir viagem! Não me perguntem o motivo.


Fora isso, esse lugar é um mundo tão distante do qual estamos acostumadas que mesmo vivendo cada minuto, parece que não estamos aqui. Tudo parece de mentira, o cenário é cinematográfico e nos faz esquecer que existe telefone, celular, trânsito ou televisão. Bariloche é a Campos do Jordão argentina no inverno. Agora, na baixa temporada, também é muito bonita, mas é uma cidade muito diferente da que estamos acostumados a ver nas fotos. As montanhas estão verdes, o clima não é tão frio e as ruas são mais vazias do que imaginávamos.


O fim da rota pela Argentina nos fez economizar e "farofamos" um pouco por Bariloche. Fizemos um passeio que custaria 50 pesos por apenas 4, que é apenas o preço da passagem de ônibus circular. Fomos até Cerro Campanário onde há um mirante no topo de uma montanha. Para economizar o dinheiro do ônibus da companhia de turismo (30 pesos), pegamos o circular que custa 2 pesos e para não pagar 20 pesos de "aerosilla" (um tipo de teleférico com cadeirinhas) subimos o morro à pé mesmo. Enquanto saíamos do meio do mato para chegarmos ao mirante, turistas americanas tinham dificuldade para andar pelo chão de tábuas usando salto alto.
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01/04/2008 11:08
Com os pés no Chile


Mal andamos pelo Chile e já deu para perceber que aqui as coisas são um pouco mais caras. Estamos em Puerto Varas, uma cidadezinha ao Sul do país. Aqui não há muitos albergues, mas sim hospedarias. Estamos em um quarto que tem uma cama de casal e uma de solteiro, banheiro e TV a cabo (nenhum dos outros lugares em que ficamos tinha TV). A diária sai 7.333 pesos chilenos para cada uma de nós, o que da cerca de 30 reais. Se consideramos que na Argentina pagávamos mais ou menos 20 reais de hospedagem por dia, e uma diferença considerável. Essas hospedarias são como grandes casas com vários quartos e, normalmente, são administrados por senhores ou senhoras. O clima é bem diferente do que temos nos albergues, onde quem cuida do lugar são pessoas jovens e, às vezes, há muita bagunça. Nos albergues da Argentina havia sempre muita gente circulando, conversando, cantando ou ouvindo música alta. Aqui, por enquanto, o clima e muito mais tranqüilo.



Feira de artesanado de Algelmo em Puerto Montt




Outra diferença essencial entre o hostel e a hospedaria é que os albergues tem cozinhas comunitárias, onde todos podem cozinhar para economizar. Na hospedaria não se pode fazer isso e não há nenhuma refeição inclusa na diária. Mas apesar de tudo, pelo menos, esse ambiente familiar das casas das senhoras e mais confortável do que o agito constante do albergue.



De Puerto Varas se pode ir a outras cidades próximas e voltar no mesmo dia. Já fomos a Puerto Montt, uma cidade portuária que tem no bairro de Algelmo uma famosa feira de artesanato e um mercado de peixes e frutos do mar cercado por diversos restaurantes.
Além da arquitetura e do clima, a diferença entre a culinária argentina e a chilena também é grande. Enquanto na Argentina se come muita carne vermelha e lanches de jamon (um tipo de presunto) e queijo, no Chile os principais pratos são feitos com peixes e frutos do mar.
Eu e a Luciana nos arriscamos experimentando um Curanto em Algelmo. A idéia era comer uma Paella, mas essa é a versão local para o prato.



Curanto: mariscos, frango, linguiça, batata assada e massa frita com mistura de peixe.
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02/04/2008 10:56
Quem busca sempre alcança


Nossos vizinhos latino-americanos são sempre receptivos com os brasileiros. Desde que descobrimos que podemos fazer os passeios turísticos sozinhas, tudo tem saído mais barato. Apesar do cambio confuso, as coisas ainda são relativamente baratas no Chile. Algumas das atrações da região onde estamos são os vulcões. Perguntando para guardas, em agências de turismo, em centrais de informações turísticas e a pessoas na rua pode-se chegar em qualquer lugar. Até restaurantes eles indicam! Pegamos um ônibus normal e fomos até o vulcão Osorno (que não esta mais em atividade), mas que vale a visita. Por 2.000 pesos chilenos se chega até o Lago Todos los Santos em cerca de 40 minutos.





Mesmo com sol, o vulcao Osorno tem seu topo branco. Ele tem neve eterna.




Lago Todos los Santos


Lá é possível fazer diversas atividades, desde uma excursão até o topo do vulcão (que tem neve) até canoagem ou um simples passeio no lago. Se a idéia é fazer um passeio grande, o melhor é pesquisar com antecedência. Normalmente eles levam muitas horas e saem pela manhã. Chegamos tarde ao lago e demos apenas uma volta de barco que custou 6.000 pesos ao todo (2.000 para cada uma). Um passeio simples, mas delicioso. Afinal, uma caminhada de 9 horas ate o vulcão Villarrica em Pucon nos aguarda alguns quilômetros acima aqui mesmo no Chile.
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04/04/2008 11:56
On the road

Uma viagem rápida e de baixo custo como essa que estou fazendo, às vezes, exige alguns sacrifícios. Nossa média de dias em cada cidade caiu de dois para um e já chegamos a fazer duas viagens de ônibus em menos de 24 horas. Tudo isso porque o tempo é curto e o dinheiro é pouco. Entre essas andanças, passamos uma tarde em Valdívia, a maior cidade no sul do Chile.



Mercado municipal de Valdívia


É um lugar um pouco mais urbano do que Puerto Varas e Puerto Montt, onde estávamos antes. A cidade tem cerca de 150 mil habitantes e nela se pode fazer passeios de barco e chegar até uma praia que dá para o Oceano Pacífico. Lá conhecemos uma simpática feira à beira do rio e o mercado municipal que tem muito artesanato. Faltou tempo para ver mais de Valdívia. Horas depois já embarcamos em outro ônibus.




Feira a beira do Rio em Valdívia
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07/04/2008 11:15
Um dia no vulcão Villarrica


Nem em sonho ou vendo filme de ficção científica, eu me imaginei um dia escalando um vulcão. Mas essa idéia tão distante se tornou realidade durante a visita ao Villarrica, na cidade de Pucón, no Chile. Eu sabia que a aventura seria muito puxada e antes de contratar o passeio já estávamos com medo de encará-lo. O vulcão Vilarrica tem 2.847 metros, está em atividade (a última grande erupção foi em 1971) e é muito procurado por turistas no Chile. A caminhada até o seu topo dura cerca de 8 horas e é preciso muito condicionamento físico para fazê-la. Além disso, a escalada exige equipamento especial e boas condições climáticas.



Naelia, Luciana e eu ao estilo "homens trabalhando"


Saímos às 7 horas da manhã numa van de Pucón em um grupo de seis pessoas e duas guias. Além de nos três, fazia parte da equipe um casal de brasileiros de Minas Gerais e um australiano que mora na Alemanha. A preparação dos equipamentos que iríamos usar já mostrava o que viria pela frente. Colocamos roupas e sapatos especiais para neve e cada um levava uma mochila pesando cerca de 6 quilos com diversos apetrechos. Tomamos uma "aerosilla" (aquele teleférico de cadeira) até um certo ponto da montanha e começamos a caminhada pela areia vulcânica. É um terreno muito difícil de se andar por ser muito acidentado, com pedras e escorregadio.



Vulcão Villarrica. Eu cheguei até a pedra ali no meio do gelo


Com a subida, a coisa começa a piorar. O próximo passo e a neve, quando e preciso colocar capacete, "grampos" no tênis para andar no gelo e contar com o auxílio de uma ferramenta parecida com uma picareta para se apoiar.
Quando faltava uma hora e meia para chegar à cratera, desisti. Estava no meu limite, não agüentava mais andar, tremia, tinha dor de cabeça, mal estar, tosse, dor no joelho e nos pés. Pensei em continuar, mas era impossível. Senti que era melhor parar por ali. A Naelia e a Luciana, apesar de muito cansadas, continuaram com o grupo. Eu fiquei com uma guia que voltou todo o caminho comigo. Mesmo não tendo chegado ao topo, me diverti. Na volta, todos descem de "eskibunda", escorregando no gelo e quase tive uma aula particular de montanhismo com a minha amiga Maria (a guia). Durante a descida escorreguei e caí muitas vezes no gelo, na terra e, exagerando, quase morri. Mesmo assim já me sentia melhore não achei tão difícil. Conheci ainda dois dos primeiros guias do Villarrica que falavam para a Maria como eram as excursões ao vulcão na época deles. Eles contaram que usavam equipamentos precários, feitos por eles mesmos e que eram muito melhores do que hoje em dia, que subiam com o vulcão quase em atividade com grupos de quase 30 turistas cada um (hoje em dia e regra e 3 turistas por guia).



Grupo escalando o gelo do vulcão


Não fui só eu que desisti, parece que ao menos outras 6 pessoas também não conseguiram subir no dia. A Naelia e a Luciana chegaram até o fim e quase não conseguiam falar de tanto cansaço quando as encontrei de novo. Pelos relatos tenho certeza de que a vista e a experiência são inesquecíveis, mas eu não estava preparada para isso.
Para os guias e para quem está acostumado com esportes de aventura, subir o vulcão e como ir até a padaria da esquina num domingo. Mas acreditem, não é nada fácil assim. Se tiver a oportunidade, quero tentar de novo com mais preparo físico. E de vocês? Quem tem coragem aí?
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07/04/2008 17:22
O charme do Chile

O Chile começa a ficar cada vez mais simpático para mim. Me apaixonei pela cidade de Valparaíso. Depois da árdua escalada ao vulcão Villarrica, chegar a esse lugar tão charmoso é um alívio. Apesar de ser uma grande cidade, Valparaíso tem um clima especial. As casas são coloridas, as ruas são limpas, as pessoas tem muito estilo, as paredes são divertidas e dá vontade de ficar aqui por muitos dias.

A cidade, que é considerada Patrimônio da Humanidade, fica à margem de um grande porto e é dividida entre a parte baixa, que concentra o comércio e a área financeira, e a parte alta, com morros ocupados por casas, restaurantes, lojas e ateliês. Por conta disso, existem 15 elevadores que levam as pessoas da parte baixa para a parte alta da cidade (como em Salvador, na Bahia).



Valparíso é dividida entre a parte baixa e a alta


As ladeiras boêmias de Valparíso chegam a lembrar o bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Por todo lado se vê paredes cobertas com desenhos de graffiti, stencils e frases e cartazes de grupos que protestam contra o governo.



Eu em parede grafitada. Elas estão em todo lugar


Ao sairmos do ônibus na estação da cidade, fomos abordadas por um bando de pessoas que queriam apresentar seus hotéis, hostels e hospedagens. Depois de ouvirmos diversas propostas, escolhemos a de um rapaz que trabalhava num hostel no certro histórico. Apesar do espanhol fluente de quem passou a vida toda no Chile, Chris não é daqui. Ele é americano, formado em música e viaja desde setembro de 2007 sozinho pela América do Sul. Nascido em nova Orleans, ele aprendeu espanhol com amigos mexicanos em Chicago, onde morava antes de viajar. Ele sabe muito de Valparaíso e nos apresentou a cidade enquanto nos levava ao hostel.



O americano Chris viaja pela América do Sul desde setembro de 2007


Apesar de tanta simpatia dos moradores de Valparaíso, há um clima de tensão no ar. Por duas vezes fomos abordadas espontaneamente por pessoas que queriam nos avisar que era muito perigoso andar pela cidade com máquinas fotográficas na mão, mochilas ou até passear à noite. Depois disso, ficamos atentas a tudo e desconfiamos de algumas pessoas enquanto andávamos pelas ruas. Afinal, quem mora em São Paulo já sabe bem como se portar nessas situações. Mas isso não impediu que eu me encantasse por esse lugar que mistura arquitetura histórica com arte e um jeito de cidade grande e que merece muitas outras visitas. Ainda tivemos a sorte de ver um show de cumbia (ritmo muito ouvido em todos os países latinos) de graça em uma praça que reuniu desde punks até casais de velhinhos e eu provei uma iguaria chilena: um cachorro quente à italina, que tem como seu principal ingrediente uma espécie de purê de abacate. E é bom, acreditem! Valparaíso é especial.
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08/04/2008 11:29
La playa

Viñas del Mar fica ao lado de Valparaíso, mas é uma cidade completamente diferente. Imagino que seja o Leblon do Chile. Totalmente planejada e turística e freqüentada pelos ricos e famosos daqui.




Viñas não tem uma graminha fora do lugar. Mesmo fora de temporada, tudo é muito mais caro aqui. Muitos casais passeiam pela orla da praia e é possível ver diversos tipos de pássaros nas pedras próximas ao mar. Eu ainda estava muito encantada com a Valparaíso para achar Viñas mais legal, mas já que estava perto, não custava nada conhecer.



Pelicano passeando por Viñas del Mar
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09/04/2008 10:57
Pachamama

Logo na chegada São Pedro do Atacama nos caiu bem. As mais de 20 horas que passamos dentro do ônibus para chegar aqui valeram mais a pena do que as 32 pela rota 40. O caminho para o Atacama é surpreendente. Deserto, mar, montanhas e cidades se encontram num mesmo cenário inimaginável e, mais uma vez, parece que nada disso existe.



Vista da estrada que leva ao Atacama


Chegando à cidade, nos sentimos como no cenário de um filme de velho oeste. As casinhas de barro se distribuem em poucas ruas e quando ninguém aparece, nos sentimos em uma cidade fantasma. São Pedro parece mística. Gringos, índios e hippies se misturam nos bares e vagam pelo deserto.




A cidade de São Pedro do Atacama


Apesar do clima, tudo, claro, é feito para o turismo. Os passeios são caros, mas todos vem aqui mesmo para isso. Visitamos o Vale da Lua, uma parte do deserto que combina areia, sal, pedras, dunas e montanhas. A vista é inesquecível e aqui acredita-se que ao andar pelo meio do deserto ouvindo o som da terra e das pedras se movendo é possível sentir a Pachamama, a mãe terra. Do Vale da Lua também avistamos o vulcão Licancabur que tem 5.914 metros e está na fronteira entre o Chile e a Bolívia. O vulcão faz parte de uma briga territorial entre os dois países e uma parte dele (a do Chile) tem minas terrestres para evitar uma possível invasão. Por isso, e possível escalá-lo somente de um lado.



Vale da lua


Durante esse passeio, também visitamos antigas minas de sal. É difícil pensar que grande parte do terreno em que estávamos pisando era formada por sal. Sal desse que comemos todos os dias. Para tirar a prova, quem quiser pode até dar uma lambidinha na parede. Eu comprovei.





O Atacama tem muitos lugares para serem vistos e sentidos. É um local para se conhecer a fundo em muitos dias. Estamos tento apenas um gostinho, um suspiro da Pachamama que se mostra em todos os cantos daqui.
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Quem é a blogueira
Regiane Teixeira, 24 anos, é jornalista e se aventura com duas amigas num mochilão durante um mês pela América Latina.

 
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25/03/2008 - 09/04/2008
 
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