12/05/2008 12:02
Moda mochileira

Muita gente tem a curiosidade de saber como as pessoas se vestem em outros países. "Vamos lá: entre os mochileiros, a moda é roupas largas e de tons escuros ou "terra" e os tênis são sempre de trekking". Os mais moderninhos sempre colocam uma cor no look e muitos jovens têm cabelo comprido ou dreads.

Apesar do risco de não usar roupas adequadas, muita gente sobe montanhas e faz caminhadas com sapato social ou roupas que usam no dia-a-dia. Para quem faz um passeio de um dia, tudo bem. Mas se você é mochileiro, não pense em levar roupas boas porque na volta elas estarão literalmente um trapo.




Estilo aventureiro clássico. Tons bege e escuros


Os mais descolados usam roupas mais coloridas e acessórios no cabelo


Cada um se veste de um jeito num mochilão


O ideal é levar roupas velhas que possam ser gastas
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09/05/2008 10:59
Registros de viagem

Uma das coisas mais legais de uma viagem são as lembranças. Afinal, é isso que guardamos das coisas boas. Conheci muita gente pelo caminho que, como eu, fazia diários virtuais ou mesmo escrevia em cadernos de anotações.

Para ter alguns momentos retratados de forma diferente, além da câmera digital, levei outras duas "lomos". Essas são máquinas automáticas de alta sensibilidade que tiram fotos com um aspecto diferente. São vários os tipos de câmeras, desde as que têm filtros coloridos até outras que tiram fotos em seqüência com diversas lentes.

Foi a primeira vez que as usei e com uma eu fiz algo errado porque o filme saiu em branco. A outra era essa que eu citei de fotos em seqüência. Quando revelei os filmes fiquei muito feliz com o resultado e lembrei de muitas cenas que vivi durante a viagem. Essas fotos foram uma brincadeira, mas essa eu posso pegar na mão e lembrar de tudo o que aconteceu para sempre.



Naélia no Atacama



A Luciana e eu escorregando na neve em Ushuaia



O legal dessa câmera é tirar fotos de cenas com movimento



Teste com uma das lhamas de Machu Picchu
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08/05/2008 10:58
Quanto custa a Bolívia

A Bolívia é o país mais barato dos que eu visitei. Um Real vale mais de 3 bolivianos e tudo custa muito pouco. Com as coisas a um preço tão baixo, vale a pena se dar ao luxo e comprar tudo o que der vontade, sem economizar.

- Uma refeição - de 10 a 30 bolivianos
- Uma hora de internet - 3 bolivianos
- Uma garrafa de água - 2,50 bolivianos
- Transporte de ida e volta a Tiwanaku - cerca de 50 bolivianos
- Ingresso ao parque arqueológico de Tiwanaku - 90 bolivianos
- Hospedagem em albergue - cerca de 15 dólares
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06/05/2008 10:46
Família boliviana

Atravessar a rua em La Paz é uma aventura. São pouquíssimos os ônibus na cidade e os que existem são muito antigos. A maior parte do transporte público é feita por vans e elas param em qualquer lugar, fora do ponto ou literalmente no meio da rua para pegar ou deixar passageiros. Parece que não há regras no trânsito. Como quase não existem motos na rua, os pedestres também atravessam fora da faixa, em qualquer lugar. É preciso correr e driblar alguns carros para conseguir chegar ao outro lado da rua na hora do rush. O trânsito é infernal e demora-se muito tempo para chegar de um ponto a outro da cidade.



Ônibus antigo de La Paz


Porém, isso não tira a simpatia de La Paz. Essa foi a cidade em que eu mais passei tempo (cerca de quatro dias) e posso dizer que fui muito bem recebida. As pessoas que me acolheram estiveram o tempo todo comigo, me dando informações sobre a cidade e a cultura da Bolívia. São muitos os lugares e os sentimentos desse país. Apesar de só ter ficado em uma cidade, percebi como são fortes os costumes aqui e como é imensa, linda e interessante cultura boliviana, que envolve música, festas comidas e histórias.



Praça no centro da cidade


No meu último dia em La Paz, Albina (a tia do meu amigo me convidou para almoçar na casa dela e costurou bandeiras dos povos originários para mim. Na última parte da viagem, em que eu estava sem as minhas amigas (que voltaram para o Brasil), senti que ganhei uma família boliviana.



Armando, Albina, Ernestina e Miguel em almoço caseiro
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05/05/2008 10:53
Calle Sagarnaga e Mercado de Brujas

Por todos os países em que passei nessa viagem era possível encontrar muito artesanato em feiras, em lojas ou nas ruas, mas há um lugar em La Paz em que se vê realmente de tudo. A região da Calle Sagarnaga é cheia de ladeiras e ruazinhas repletas de lojas e mercados de produtos feitos à mão. Andando por ali, vi desde os tradicionais tecidos bolivianos até esculturas em pedras de diversos tamanhos, bolsas, porta-retratos, canetas, ímãs de geladeira. Enfim, tudo o que um turista precisa.



Rua com lojas de artesanato na região da Calle Sagarnaga


Na mesma área está o chamado "Mercados de Brujas". Não consegui descobri quais as ruas pertencem realmente a essa região, mas trata-se de uma área em que estão à venda animais empalhados e artigos para "bruxaria", muitos importados do Brasil inclusive. São ingredientes usados em simpatias e oferendas. Imagino que algo parecido com algumas coisas de Umbanda e Candomblé que a gente tem aqui.



Os animais empalhados que estão à venda impressionam no Mercado de Brujas


No meio disso ainda estão ruas muito comerciais com produtos que as pessoas que moram em La Paz realmente compram. São lojas atacadistas de tecido, espécies de "mercadinhos" em barracas na rua que vendem um pouco de tudo, lojas de produtos para a casa e eletrônicos. Nas ruas se vende diversos tipos de maíz e frutas e é possível ver as cholas comendo comida quente como arroz e frango por ali logo de manhã. Elas não gostam de ser fotografadas nem que tirem fotos dos seus produtos, por isso, não poderei mostrar muito aqui.



É possível encontrar de tudo nessas ruas. Na foto, doces e pipocas


A Calle Sagarnaga e o "Mercado de Brujas" são regiões obrigatórias para quem visita La Paz. Dá para passar muitas horas caçando artesanatos e bugigangas interessantíssimas por ali.

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30/04/2008 11:22
Turismo numa metrópole

La Paz é caótica e lembra muito São Paulo. Trânsito infernal, hora do rush, centro financeiro, restaurantes, museus, periferia, centro histórico. Tudo ao mesmo tempo. Muito do que se vê na maior cidade brasileira é encontrado em uma outra versão em La Paz. Em alguns momentos a capital boliviana parece melhor e em outros pior do que a nossa metrópole, mas La Paz é peculiar.



Centro histórico de La Paz


Talvez por ser pequeno, o centro histórico de La Paz é muito bem cuidado. As ruas são limpas e os prédios antigos não estão caindo aos pedaços. A região é cercada por palácios do governo e museus diversos sobre a história e a cultura boliviana. Por apenas 4 bolivianos é possível rodar por cinco museus (quatro deles integrados) que ficam na mesma rua. De máscaras de festas típicas, a tecidos de regiões específicas do país e peças de ouro encontradas em Tiwanaku. Os museus são uma visão geral do que é a Bolívia, neles conhecemos do descobrimento de uma civilização antiga aos costumes mantidos no país ainda nos dias de hoje. Alguns museus têm visita gratuita e outros cobram até cerca de 15 bolivianos.



Museu de máscaras


Como em qualquer grande cidade, em portinhas e lugares escondidos é possível descobrir milhares de coisas interessantes. Passei por uma espécie de 25 de março, uma feira de livros e comi um quitute delicioso: buñuelos com api. Buñuelo é uma espécie de bolinho de chuva em formato de pizza e api é uma bebida quente feita com dois tipos de maiz, cravo e canela e que chega a lembrar um pouco o gosto do nosso vinho quente. Me senti à vontade comendo isso num cantinho tranqüilo do centro da cidade para depois de uns minutos começar a andar nas ruas agitadas de novo. Nessa hora deu até saudade de casa.



Um gostinho de Brasil: buñuelo e api



Ruas do centro à noite

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29/04/2008 10:59
Ruínas na Bolívia

A essa altura da viagem já não tenho dinheiro nem tempo suficiente para fazer muitos passeios, por isso minha estada na Bolívia se resumirá mesmo a La Paz. O famoso Salar de Uyuni, por exemplo, leva ao menos dois dias para ser visto e custa, no mínimo, 100 dólares. Vai ficar para outra vez.
O que é perto, barato e eu não podia deixar de ver são as ruínas de Tiwanaku (ou tiahuanaco). Historiadores acreditam que esse sítio arqueológico seja de uma época pré-inca, entre os anos 1.500 a.C. e 900 d.C. De cara, a arquitetura de Tiwanaku já é muito diferente de Machu Picchu. São detalhes e construções totalmente diferentes das ruínas do Peru. Meus amigos Nancho, Juan e Germán me acompanharam até a cidade que fica perto do lado boliviano do Lago Titicaca, a uma hora de carro de La Paz. Como chegamos no final da tarde, o lugar estava vazio, sem os grupos de turistas. Aqui se pode ver muitos detalhes feitos nas pedras e grandes monolitos esculpidos.



Ponce, monolito em Tiwanaku que leva o nome do seu descobridor



Porta do sol, considerada um grande monumento pelos seus detalhes e pela precisão da sua construção



Cara de monolito


Arqueólogos estão atualmente escavando o local à procura de mais informações sobre Tiwanaku. Dizem que há uma pirâmide enorme soterrada aqui. Um museu em frente ao parque tem uma grande coleção de caveiras, cerâmicas e objetos achados ali. Para ver o museu e o parque é preciso pagar 90 bolivianos (menos de 30 reais). Porém, todas as informações estudadas até hoje são incertas e até o período em que esse povo realmente viveu aqui é indefinido. Além do mistério da descoberta por mais informações dessa civilização tão antiga, a estrada que leva até Tiwanaku é uma atração à parte. Por ela é possível ver uma série de picos nevados da Cordilheiras do Andes. Incrível.



Vista da Cordilheira dos Andes entre La Paz e Tiwanaku
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28/04/2008 14:25
Hola São Paulo!

Depois de 27 dias em mais de 13 cidades pela América Latina, estou de volta à São Paulo. A intensidade com que as coisas aconteceram fizeram com que tudo ficasse mais emocionante. Nossa média de estadia em cada lugar foi de um a dois dias e passamos mais tempo em ônibus do que em hotéis. Pelas contas, foram mais de 100 horas rodando por estradas.


Apesar da falta de roteiro e planejamento, tudo deu certo e os problemas que tivemos foram por pura bobeira e ingenuidade e vocês puderam acompanhar aqui no blog. Os países que visitei são lindos e totalmente diferentes um do outro. Aqui no Brasil estamos muito perto de todos eles, mas a impressão que fica é que vivemos em um mundo muito distante. Nossa cultura, nossa história e nossos costumes são muito diferentes dos nossos vizinhos. Parece que a Argentina, o Chile, o Peru e a Bolívia têm um laço mais forte entre si por compartilharem a Cordilheira dos Andes, a mesma língua e a mesma história de colonização. E é por isso que nosso continente apaixonante, por ter ao mesmo tempo semelhanças e diferenças. As diversas manifestações de cultura estão em todos os lugares, a comida é instigante e as pessoas são interessantes.


Essa viagem faz parte de todo um ciclo de mudanças para mim. Entre outras coisas, na semana do embarque recebi uma proposta de emprego e uma noite antes de partir, fui assaltada dentro de um banco. Cheguei ao Brasil no final da quinta-feira (17) e desde essa semana faço parte da equipe do site da revista Época São Paulo, também da Editora Globo, que será lançada nesta sexta-feira (26). Aqui também terei um blog e continuarei falando sobre cidades, mas agora será São Paulo mesmo e sobre toda a agitação que rola na noite.


Os amigos, as paisagens e os acontecimentos dessa viagem não ficarão apenas aqui, estarão sempre na minha memória e no meu coração. Para quem pretende fazer esse roteiro, espero ter sido uma companhia e uma referência. Ainda tenho histórias da Bolívia, da América Latina e de tudo para contar. Ainda não acabou. Me acompanhem.
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25/04/2008 10:46
O que está escondido por La Paz

Além dos meus anfitriões em La Paz, conheci outras três pessoas que se ofereceram para me mostrar um pouco da Bolívia. Nancho, Juan e Germán são amigos de infância do Miguel (tio do meu amigo que está me hospedando) e sempre se encontram para fazer passeios pela cidade. Como eu estava um pouco sem idéia de onde ir no primeiro dia, eles me convidaram para caminhar em uma montanha pouco visitada por aqui.


O bom de andar com pessoas locais é que eles normalmente te levam a lugares onde não há muitos turistas. A montanha da "Muela Del Diablo" (Dente do Diabo, um pico que pode ser visto de muitos pontos de La Paz) não tinha nenhum. Esse lugar inóspito, pertíssimo da cidade, poderia ser um grande ponto turístico, mas felizmente só é ocupado por um pequeno povoado que vive num lugar chamado Vale Escondido. São grandes montanhas áridas com picos muito altos e finos que se alternam com morros esverdeados. Pelo caminho encontramos cavalos, porcos e burrinhos de uma casa isolada no meio da trilha. Uma hora de caminhada, um piquenique no meio do caminho, novos ótimos amigos e não foi preciso muito para fazer um passeio simples e inesquecível.



Nancho, Juan e Germán. Meus novos amigos


À noite, mudando totalmente de clima, ainda visitei dois pubs conhecidos aqui pela decoração: o Antique Pub e o Diesel. O primeiro fica na parte antiga da cidade, um bairro com prédios históricos, museus e boêmia. Como indica o nome, esse bar tem móveis e muitos objetos antigos que vão desde bonecos a luvas de boxe e bicicletas que já são relíquias. O segundo, Diesel, é todo feito com ferro reciclado e em sua decoração estão desde instrumentos musicais pendurados no teto até uma turbina de avião antiga.



Um monte de coisas velhas e interessantes no Antique Pub



Ferro e clima industrial no Diesel


A parte antiga de La Paz me impressionou, é bem cuidada e limpa. Em uma das ruas principais do bairro está a Cruz Verde, uma cruz com luz verde e uma placa explicativa que conta que antigamente os moradores acreditavam que a região era ocupada por maus espíritos. A cruz foi colocada lá para alertar as pessoas do perigo e ao longo do tempo os antigos moradores deixaram o lugar com medo e deram espaço aos museus e à boêmia. Mal cheguei a La Paz, mas parece que há muito para ser visto.



Cruz verde para alertar sobre maus espíritos
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23/04/2008 11:10
Hay personas y personas

Contratamos a Yovana (guia que nos estava ajudando nas hospedagens, passagens e passeios) porque estávamos com medo de sermos enganadas por alguém no Peru. Não adiantou nada, fomos enganadas do mesmo jeito. Eu havia pagado a ela por dois dias de hospedagem em algum hostel em La Paz (20 dólares) e alguém deveria me buscar na rodoviária lá e me levar até esse lugar. Claro que cheguei ao terminal de La Paz e ninguém estava me esperando. Caí num golpe. Por sorte, um dos meus melhores amigos no Brasil tem família boliviana e, com o que havia ocorrido no último dia em Cusco, já o havia avisado que talvez precisasse de ajuda. Liguei para ele e seu primo já estava até me esperando na rodoviária. Perdi pouco dinheiro, mas mesmo assim a situação é muito chata. A Naelia e a Luciana também haviam pagado a Yovana pelo albergue em La Paz no dia anterior a mim e ficaram na mão.



Família Cervantes - Alberto, Miguel, Ernestina e Maurício


Apesar desse transtorno, fui muito bem recebida em La Paz pela família do meu amigo. Eles moram perto do centro da cidade e estão sendo extremamente gentis e solícitos comigo. Miguel (tio do meu amigo) e Maurício (primo) me levaram para almoçar com os avós do meu amigo (pais do Miguel). Comemos um prato típico daqui, um Chicharron, que tem carne de porco e um tipo diferente de milho. Eu já tinha visto isso no Peru, mas não tive coragem de experimentar. É delicioso.



Chicharron / carne de porco e milho (ou maiz)


Estou hospedada na casa do Miguel e do Maurício. O Miguel trabalha em uma ONG holandesa que ajuda mulheres mineiras da Bolívia e o Maurício tem uma empresa de informática. Os dois sabem muito da história da Bolívia e sempre falam de política e dos principais pontos de La Paz. Os avozinhos que foram almoçar conosco são uma graça. Ernestina, a avó, tem 87 anos, é falante e pergunta muitas coisas. O avô, Alberto, tem 88 anos e quase não fala. Ambos são evangélicos e se vestem de maneira formal, segundo Miguel, porque são evangélicos. Fofos.

A cidade é gigantesca, muito maior do que eu imaginava. Por todos os lados que se olha estão casas inacabadas e pessoas andando com sofisticados carros japoneses. Tudo aqui é subida e descida. Aqui há uma parte alta e uma baixa e da até tontura de andar muito de carro.



Fomos em um mirador no alto de La Paz. A cidade é gigante


Na coleção de pessoas bacanas que conheci durante a viagem ainda está um casal de argentinos que estava no mesmo ônibus que eu de Cusco a La Paz. Patrícia e Gabriel perceberam que eu estava sozinha e em todas as paradas me faziam companhia. Eles adoram o Brasil e estão viajando pela Bolívia e pelo Peru. A Patrícia também faz um diário num caderno sobre essa experiência e anota os preços de tudo o que eles gastam. Os dois já haviam passado por La Paz e me deram dicas sobre passeios.

E assim sigo aqui a viagem, com pessoas boas e ruins pelo caminho. Deve fazer parte da experiência.



Os argentinos Patrícia e Gabriel na fronteira entre Peru e Bolívia
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22/04/2008 11:02
Roubadas de viagem


Os problemas com a agente de viagens que estava organizando algumas coisas pra nós começou quando não havia ninguém nos esperando depois do passeio a Machu Picchu para nos levar de volta ao hostel. No mesmo dia, íamos pagar as duas diárias que devíamos. O recepcionista do hotel nos cobrou 46 soles para cada uma de nós, enquanto o que havíamos combinado com a Yovana (a agente) era 40 soles. Prevendo o início de uma confusão, o rapaz disse que tudo bem, que não precisávamos pagar naquela hora porque a Yovana tinha ficado de pagar o hostel e nós pagaríamos para ela. Pois bem. A Naelia e a Luciana foram embora porque precisam voltar a trabalhar e eu fiquei em Cusco. Vou seguir sozinha para a Bolívia.


Enquanto elas saíram pela manhã para pegar o vôo de volta ao Brasil, eu deixei para passar o dia em Cusco e fazer o trajeto à noite, assim economizo uma noite em hotel. Assim que desci no lobby, a turbulência começou. Me cobravam a minha diária e a das meninas, ninguém sabia quem era a Yovana e se ela ia mesmo pagar. A tensão rolou durante o dia. Eu que pensava em passear por Cusco, não consegui parar de pensar em ter que pagar os 138 soles das diárias do albergue e perder os 100 soles da minha passagem para La Paz e os 20 dólares de hostel que eu já tinha pagado para a Yovana. Realmente fomos ingênuas e caímos num velho conto do vigário. Entregamos nossas vidas a essa mulher sem sequer perguntar o nome e o endereço da agência para qual ela trabalhava.


No final do dia, consegui falar com a Naelia para saber se elas tinham pagado a diária a Yovana que as estaria esperando em Puno (escala na rota rodoviária para La Paz). Ela disse que sim e eu me tranqüilizei. Quando voltei ao hostel à noite e disse que as meninas haviam pagado para Yovana e que ela pagaria, me disseram que haviam ligado pra Yovana e que ela disse que ninguém a havia pagado. É meus amigos. Nem tudo e tão bonito assim. Às 22 horas eu seguiria para La Paz e alguém que trabalha com a Yovana deveria me buscar no hostel para me levar à rodoviária. Já temia ter que ficar mais um dia em Cusco quando a mãe da moça apareceu e disse que, sim, as meninas tinham pagado a diária do hostel a alguém em Puno e que no outro dia a Yovana pagaria a eles as diárias. Eu já havia pagado a minha parte pela manhã. Enfim, fomos a rodoviária e embarquei a La Paz. Só queria sair dali.



Ruínas históricas nas ruas de Cusco


Apesar de tudo, andei um pouco por Cusco e, mesmo vendo pouco, é impossível não dizer que a cidade é linda. Construções imponentes do século passado e ruínas incas estão pelo meio das avenidas. As pessoas são simpáticas e as ruas são limpas. Almocei um prato típico com sopa (que acho que tinha uns miúdos que não tive coragem de comer), arroz, feijão e carne (delicioso) e chicha, uma bebida típica daqui feita com maiz (espécie de milho), uva e maças (maravilhoso).



Almoço típico. A versão peruana para arroz, feijão e carne assada



Chicha, bebida tradicional feita de maiz


Ainda fui ao mercado municipal da cidade onde os locais compram suas roupas e comidas. Era muito grande e tinha coisas muito interessantes, fiquei com um pouco de medo de andar por ali. Infelizmente não se pode confiar em todo mundo aqui e em qualquer lugar.
Comprovei isso. Ainda mais agora, sozinha.



Mercado municipal de Cusco
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18/04/2008 17:59
Quanto custa o Peru

Fiquei muito tempo no Peru, mas senti que aqui as coisas são um pouco mais baratas. Apesar de as coisas mais turísticas serem muito caras, dá pra conhecer o país com pouco dinheiro. Um Real vale cerca de 1,60 sol (moeda peruana) e um dólar vale cerca de 2,70 soles.


Diárias de albergues por cidade:
Puno - 27 soles
Cusco - 46 soles
Passeio ao Lago Titicaca e Ilha Taquile - 20 dólares (com almoço incluso)
Passeio ao Vale Sagrado - cerca de 150 soles
Passeio de um dia a Machu Picchu - Pagamos 190 dólares, mas sai 170 em média
Passagem de Arequipa a Puno - 13 soles
Passagem de ônibus de Cusco a La Paz - de 50 a 100 soles
Àgua mineral 2 litros - 3 soles
Refeição em restaurante - de 6 a 20 soles
Uma hora de internet - 1,50 sol
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18/04/2008 11:26
De frente com o passado

Chegou o dia de ir Machu Picchu. É como entrar num livro de História ver essa gigantesca obra de arquitetura e engenharia realizada pelos incas. Pegamos uma van, um trem até a cidade de Aguas Calientes e outra van até o topo da montanha onde estão as ruínas.



Trem para a cidade de Aguas Calientes, a mais próxima de Machu Picchu


Machu Picchu é considerada Patrimônio da Humanidade pela UNESCO e como um dos locais mais visitados do mundo chega a perder um pouco do seu encanto. São muitas pessoas tirando fotos, filmando e se trombando a todo o momento. É muito difícil conseguir tirar uma foto sem que um estranho apareça.




Cerca de 700 pessoas viveram na cidade entro os séculos XI e XVI. Segundo os historiadores Machu Picchu levou de 50 a 80 anos para ser construída


O lugar é incrível, a mais de dois mil metros de altura (que não é o lugar mais alto do Peru) e parece ser o topo do mundo. Não consigo pensar como as pessoas viviam ali e muito menos em como a cidade foi construída. O passeio é caro, pagamos 190 dólares (mas custa cerca de 170), e cheguei a pensar se valia mesmo a pena. Agora não me arrependo.



Vista geral de Machu Picchu


Por todos os lugares estão novamente os onipresentes puma, condor e serpente. A forma dos animais pode ser vista, ou imaginada, em montanhas, pedras e construções. Além disso, 20 lhamas vivem no local e passeiam tranqüilamente entre os turistas. Segundo nosso guia, o animal mais comum na região é o urso! Coisa que eu nunca imaginaria. Muita gente opta por fazer o antigo caminho dos incas, no qual se anda e acampa por cinco dias até chegar a Machu Picchu. É preciso ter disposição. O nosso passeio durou um dia e pra mim bastou.

No caminho para a cidade conhecemos uma figura, o Rocco, um italiano falante e divertidíssimo que nos acompanhou na van e no trem. Ele é cozinheiro e está no fim de uma viagem de 40 dias com um amigo pelo Peru. Eles iriam dormir em Aguas Calientes e subiriam a Machu Picchu no dia seguinte de madrugada porque dizem que pela manhã a vista é mais bonita e o lugar, com certeza, mais vazio. Há varias opções de passeios para todos os gostos, a que escolhemos foi uma das mais baratas.



Rocco é italiano, viaja pelo Peru e já morou seis anos no México e dois na Costa Rica


Nosso trem de volta era o último, às 19 horas. Depois da viagem de uma hora e meia, imaginamos que alguém do passeio que contratamos deveria estar nos esperando. Pois não estavam e já não havia nenhum ônibus circular que iria ainda naquele dia para Cusco. Por sorte, encontramos outras três pessoas que também estavam sem condução. Andamos até a praça da cidadezinha onde pegamos o trem e todos os táxis nos cobravam 20 soles (cerca de 10 reais) por cabeça para nos levar a Cusco. Conseguimos um por 12 soles e nos apertamos todos no carro. Mais uma aventura. Na estrada ruim, sem luz, num carro caindo aos pedaços ainda fomos parados pela polícia por excesso de passageiros. Seguimos a longa viagem e chegamos a Cusco às 23 horas. A essa hora, nada pior do que não saber o nome da rua do hotel em que estamos. Mobilizamos toda a polícia do centro da cidade e finalmente conseguimos chegar ao hostel depois da meia-noite. Com certeza não esquecerei Machu Picchu.
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17/04/2008 11:15
Puma, condor e serpente

Chegamos a Cusco, a antiga capital do império Inca, e logo cedo saímos para visitar o Vale Sagrado. Esse é um lugar histórico muito importante que fica entre dois povoados próximos de Cusco. Os incas tinham nesse vale um dos seus principais pontos de plantação e ainda é aqui que se produz o melhor grão de maíz (espécie de milho) no Peru. O Vale Sagrado é rodeado por diversos rios, povoados indígenas e ruínas incas. Pela primeira vez pudemos sentir o poder a engenhosidade dos incas, esse povo isolado que no século XI já dominava conhecimentos de astronomia, arquitetura e engenharia, entre muito outros. A vista do Vale Sagrado é impressionante e imponente.




Ruínas incas no Vale Sagrado



A flauta peruana que é famosa em São Paulo em sua versão original no Vale Sagrado


Contratamos o passeio pela Yovana, que nos conseguiu hotel em Puno e aqui. Existem diversas pessoas que prestam esse serviço informalmente. Não gostamos de fazer esse tipo de passeio rápido e agendado, mas como nos falta tempo, essa era a melhor opção. O tour foi corrido. Das 8 às 18 horas da tarde visitamos e andamos por três cidades incas: Pisac, Ollantaytambo e Chinchero. É um passeio histórico, pra quem gosta de ver ruínas e ouvir muitas lendas.

Nosso guia se intitulava "o mensageiro andino" e nos chamava a todo o momento de pumas, condors e serpentes, animais sagrados na cultura inca. Essa trilogia é onipresente. Cidades e monumentos foram construídos com as formas desses animais. Para os incas, o puma representava forca e inteligência, o condor é o mensageiro dos deuses e a serpente, o infinito. Mas o contexto histórico é muito amplo e complexo. Todos os passeios dão uma visão geral e rápida dessa cultura, mas é difícil compreender e captar todas as informações em um fluxo tão rápido.



Mulheres explicam o processo de tingimento e produção dos tecidos



Feira de artesanato em Chinchero


Muitos turistas sabem toda a história e as denominações em quechua de diversas coisas e lugares. Tudo que se faz aqui é um mergulho nas tradições peruanas. Tudo é muito rápido e com muita gente, mas a vista desses lugares e a inquietação que vem à cabeça sobre tudo o que aconteceu aqui e como esses povos viveram e vivem é para se lembrar para sempre.
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16/04/2008 11:07
Lago Titicaca e Ilha Taquile

Depois da chegada tensa ao Peru, saímos para conhecer o Lago Titicaca. Desde criança, eu ouço a falar sobre esse lugar. O Titicaca está entre o Peru e a Bolívia, é o segundo maior lago da América Latina e o lago navegável mais alto do mundo.



Chegada ao Titicaca


Nele há 40 ilhas flutuantes feitas de uma planta chamada totoro onde vive uma comunidade muito simples. É como entrar em outro mundo pisar em Uros (nome da ilha), uma cidade num lago, e ver os moradores com seus costumes tão tradicionais. O passeio foi muito rápido e visitamos apenas uma das ilhas pequenas, mas a sensação que fica é que o Peru preserva muito da sua cultura. Os moradores vivem do turismo e do artesanato e os mais velhos quase não falam espanhol, mas sim o quechua, um dialeto da época dos incas.



O artesanato no Titicaca é lindo, barato e ajuda os moradores


Ainda no Titicaca fomos a um lugar ainda mais inóspito, a Ilha Taquile. Nesse local, vive uma comunidade que conserva tradições e costumes ainda mais intactos. Homens, mulheres e crianças se vestem de maneira diferente mesmo das pessoas mais tradicionais que vivem nas cidades. Cada chapéu e peça de roupa usada na ilha tem um significado. É a diferença na cor de um gorro, por exemplo, que indica se um homem é solteiro ou casado.



Mulheres trabalham na reforma do porto de Taquile


Almoçamos peixe e sopa de quinua (um cereal muito plantado e utilizado na região) feito pelos moradores numa mesa ao ar livre na ilha, dançamos com eles e passamos uma tarde incrível em Taquile. Um passeio ao passado.
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Quem é a blogueira
Regiane Teixeira, 24 anos, é jornalista e se aventura com duas amigas num mochilão durante um mês pela América Latina.

 
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