| 24/06/2008 12:07 |
Hasta luego!
Já faz um tempo que voltei de viagem e a postagem do blog se arrastou um pouco. Isso porque achei que seria interessante deixar aqui mais algumas dicas para quem quer conhecer nossos vizinhos latinos. Enquanto isso, o vulcão de El Chaltén entrou em erupção, a maioria dos amigos de viagem perdeu o contato e a vida já voltou ao normal. Era de se esperar.
Mas as imagens, as pessoas e as experiências que passamos nesses lugares ficarão para sempre em nossas memórias. Obrigada a todos os leitores do blog, que nos acompanharam, comentaram e mandaram e-mails, a minhas companheiras de viagem, Luciana e Naélia, e a revista Criativa pelo apoio e por esse espaço. Apesar de alguns apuros, nosso roteiro foi tranqüilo, cheio de boas almas que nos ajudaram pelo caminho. Foram pessoas de todos os tipos que nos auxiliaram, que nos trouxeram uma nova visão das coisas, que nos fizeram rir.
E nem todos sumiram. A animada israelense Annabelle nos visitará aqui no Brasil em julho e um amigo baiano que fizemos no Atacama está morando em São Paulo e já entrou em contato. Talvez daí venham idéias e parcerias para novas viagens ou apenas uma grande amizade. Continuo online no site da revista Época São Paulohttp://www.epocasp.com.br, com o blog 7 por 7http://www.7por7.com.br e estou à disposição para responder dúvidas e matar curiosidades sobre a viagem. Até mais! |
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| 11/06/2008 16:07 |
Comida latina
Uma das coisas a que se deve estar mais atento em uma viagem pela América Latina é a comida. Antes de viajar, eu ouvi muitas histórias de pessoas que passaram mal porque comeram e tomaram coisas na rua. A realidade não é tão drástica assim, mas realmente qualquer cuidado é pouco. Claro que comer um bacon com aspecto suspeito ou tomar uma Coca-Cola de cor amarela comprados de ambulantes é perigoso. Nesses casos, a procedência dos produtos é, sem discussão, mais do que suspeita. Mas a maioria dos restaurantes é confiável e tem um bom custo benefício.
Entre as curiosidades e surpresas que encontrei durante a viagem está a enorme variedade de vinhos nos Chile e na Argentina, até em caixa longa vida. O espetinho de carne de lhama à primeira vista soa esquisito, mas é uma delícia incomparável. Essa iguaria, encontrei num vilarejo no meio do deserto do Atacama, mas em diversos restaurantes em muitas cidades é possível encontrar essa carne servida com todos os tipos de molhos e acompanhamentos. Não deixe de provar.
As empanadas (um tipo de salgado deles) também está presente em todos os países. E em cada lugar, é de um jeito. Para quem quiser provar um pouco do tempero latino antes de ir viajar, há uma feira organizada por imigrantes bolivianos no bairro do Pari todos os domingos em São Paulo (http://www.kantutaviva.org). É um retrato bem fiel do que se encontra na Bolívia e é interessante conhece-la para sentir o clima nos países vizinhos.
 Vinhos em caixas "longa vida" em supermercado no Chile
 Placa de estabelecimento que vende espetinho de lhama e outras iguarias desconhecidas
.JPG) Carne de lhama ao molho de mostarda em restaurante no Peru
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| 28/05/2008 15:27 |
Sobre albergues e passeios
A melhor coisa para conseguir um bom albergue em um lugar que você não conhece é pegar dicas com amigos e pesquisar na internet. Tudo com antecedência, claro. Em alta temporada, qualquer um corre o risco de estar em uma cidade e não conseguir um lugar bom e barato para ficar. Muitas vezes, em uma viagem sem roteiro definido (como a minha), é preciso encontrar um lugar na hora. Nesses casos, e em todos os casos, é importante prestar atenção em detalhes como limpeza, segurança (se o local tem armários para pertences pessoais, chave da porta do quarto), localização, água quente, cozinha e eletricidade o dia todo. Os principais sites de pesquisas de albergues na internet são o HostelWorld, Hostels.com e o Hostelling International.
Quanto aos passeios, não há nenhuma dica ou endereço especifico. O lance é pesquisar preços nas agências de turismo brasileiras antes de fazer a viagem (para ter idéia dos valores) e procurar empresas de turismo confiáveis nas próprias cidades com os melhores roteiros pelos menores preços. Se o passeio for fácil de acesso, sempre é possível ir de ônibus circular e gastar menos. Os funcionários dos hotéis e albergues também sempre têm boas dicas para dar.
Em um mês de viagens fiquei em todo tipo de lugar, de albergues ótimos a casa de famílias e hotéis improvisados. Aqui seguem os endereços na internet dos melhores, que têm cozinha comunitária, internet, organização, limpeza e bons funcionários por um preço razoável (média de R$ 30):
Hostel em Ushuaia
Lindo e aconchegante, o hostel Torre al Sur é muito bem organizado, limpo e com ótimos funcionários que são solícitos em todos os momentos.
Hostel em El Calafate
Um hostel grande com muitos jovens e espaço para confraternização. É bem localizado com uma cozinha grande, mesas e passeios organizados pelo próprio albergue.
Hostel em Bariloche
Muito perto do centro da cidade, tem cozinha comunitária bem organizada e café da manhã.
Hostel em Valparaiso
É um hostel administrado por uma família muito simpática. Fica numa ladeira no centro histórico de Valparaíso e recebe muitos europeus e americanos.
 Sala de estar do hostel "Condor Andino" em Bariloche
 É importante que o albergue tenha uma cozinha comunitária, assim você faz sua comida lá e economiza dinheiro
 Café da manhã do albergue de Valparaíso. A maioria não tem esse serviço incluso, mas se encontrar um que o tenha por um bom preço, vale a pena.
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| 21/05/2008 10:50 |
Ruas da América Latina
A melhor coisa a se fazer para conhecer um lugar de verdade é andar pelas ruas. Fazer isso nas grandes cidades da América Latina requer sempre atenção e cuidado, mas é possível encontrar coisas, lugares e pessoas surpreendentes. Mais uma vez, Valparaíso, no Chile, marcou nesse sentido. Nas ladeiras da cidade se vê diversas paredes cobertas de desenhos de graffiti de todos os estilos. É como encontrar um cenário diferente, uma entrada para um mundo paralelo, em cada uma dessas pinturas.
Graffiti pelas ruas de Valparaíso
Um fato curioso comum na maioria das cidades da Argentina e do Chile é o número de cachorros nas ruas. Eles são de raça, bonitos, normalmente parecem limpos e extremamente simpáticos. Foram muitos os que nos seguiram e nos fizeram companhia por muitas ruas e caminhadas.
Desenho em escadaria da cidade
 Esse tipo de arte está em todos os cantos do Chile
Andar de ônibus em todos os lugares também é muito fácil e barato. Em qualquer albergue ou hotel alguém pode instruir um turista. Os postos de informações turísticas também costumam estar nos principais pontos da cidade e dar todas as dicas. Em último caso, os táxis também são muito baratos, mas é bom se certificar de que o carro seja regular e seguro.
A Argentina e o Chile têm muitos cachorros nas ruas, mas eles são limpos e dóceis
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| 19/05/2008 17:29 |
Moda de rua andina II
Além de Bariloche, a cidade mais "fashion" que visitei nos a Andes foi Valparaíso, no Chile. Enquanto os argentinos são totalmente rockers, os chilenos têm um estilo largado e um tanto hippie. As roupas são mais largas e coloridas, os cabelos mais naturais e compridos e se vê de tudo na rua, de punks a colegiais ao estilo "Rebeldes". Apesar de a maioria dos jovens aparentemente usar roupas velhas, daquelas que a gente compra em brechós, Valparaíso abriga uma série de ateliês de novos estilistas. Quase todas as peças são únicas e feitas a mão. Podem não agradar qualquer um, mas vale a pena caminhar pelas ladeiras da cidade dando uma olhada.
Punks em show de cumbia no centro de Valparaíso
 O estilo dos chilenos é muito mais largado e colorido
 Mistura de cores, tecidos e estilos
Foto Valparaíso 5 – A cidade é cheia de ateliês de novos estilistas |
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| 14/05/2008 10:25 |
Moda de rua andina
Dos esportes de aventura para as ruas das grandes cidades da América Latina, a maneira de se vestir dos jovens é sempre descolada. A moda varia muito de acordo com a região e o estilo de vida de cada cidade. Um dos lugares mais "fashion" por onde passei foi Bariloche. A moda das calças coloridas, que ainda está chegando aqui, já estava forte lá. Os cabelos são super desfiados, os "sneakers" estão em todos os lugares e os adolescentes são bem inventivos. E, pra quem gosta, ainda dá pra fazer umas comprinhas por lá. Em algumas cidades há lojas com roupas legais e preços melhores ainda.
 Calças "color" são muito usadas na Argentina
 Os cabelos desfiados estão sempre na moda na América Latina
 Os jovens são criativos e fazem combinações bem coloridas
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| 12/05/2008 12:02 |
Moda mochileira
Muita gente tem a curiosidade de saber como as pessoas se vestem em outros países. "Vamos lá: entre os mochileiros, a moda é roupas largas e de tons escuros ou "terra" e os tênis são sempre de trekking". Os mais moderninhos sempre colocam uma cor no look e muitos jovens têm cabelo comprido ou dreads.
Apesar do risco de não usar roupas adequadas, muita gente sobe montanhas e faz caminhadas com sapato social ou roupas que usam no dia-a-dia. Para quem faz um passeio de um dia, tudo bem. Mas se você é mochileiro, não pense em levar roupas boas porque na volta elas estarão literalmente um trapo.
Estilo aventureiro clássico. Tons bege e escuros
Os mais descolados usam roupas mais coloridas e acessórios no cabelo
 Cada um se veste de um jeito num mochilão
 O ideal é levar roupas velhas que possam ser gastas |
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| 09/05/2008 10:59 |
Registros de viagem
Uma das coisas mais legais de uma viagem são as lembranças. Afinal, é isso que guardamos das coisas boas. Conheci muita gente pelo caminho que, como eu, fazia diários virtuais ou mesmo escrevia em cadernos de anotações.
Para ter alguns momentos retratados de forma diferente, além da câmera digital, levei outras duas "lomos". Essas são máquinas automáticas de alta sensibilidade que tiram fotos com um aspecto diferente. São vários os tipos de câmeras, desde as que têm filtros coloridos até outras que tiram fotos em seqüência com diversas lentes.
Foi a primeira vez que as usei e com uma eu fiz algo errado porque o filme saiu em branco. A outra era essa que eu citei de fotos em seqüência. Quando revelei os filmes fiquei muito feliz com o resultado e lembrei de muitas cenas que vivi durante a viagem. Essas fotos foram uma brincadeira, mas essa eu posso pegar na mão e lembrar de tudo o que aconteceu para sempre.
 Naélia no Atacama
 A Luciana e eu escorregando na neve em Ushuaia
 O legal dessa câmera é tirar fotos de cenas com movimento
Teste com uma das lhamas de Machu Picchu
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| 08/05/2008 10:58 |
Quanto custa a Bolívia
A Bolívia é o país mais barato dos que eu visitei. Um Real vale mais de 3 bolivianos e tudo custa muito pouco. Com as coisas a um preço tão baixo, vale a pena se dar ao luxo e comprar tudo o que der vontade, sem economizar.
- Uma refeição - de 10 a 30 bolivianos - Uma hora de internet - 3 bolivianos - Uma garrafa de água - 2,50 bolivianos - Transporte de ida e volta a Tiwanaku - cerca de 50 bolivianos - Ingresso ao parque arqueológico de Tiwanaku - 90 bolivianos - Hospedagem em albergue - cerca de 15 dólares
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| 06/05/2008 10:46 |
Família boliviana
Atravessar a rua em La Paz é uma aventura. São pouquíssimos os ônibus na cidade e os que existem são muito antigos. A maior parte do transporte público é feita por vans e elas param em qualquer lugar, fora do ponto ou literalmente no meio da rua para pegar ou deixar passageiros. Parece que não há regras no trânsito. Como quase não existem motos na rua, os pedestres também atravessam fora da faixa, em qualquer lugar. É preciso correr e driblar alguns carros para conseguir chegar ao outro lado da rua na hora do rush. O trânsito é infernal e demora-se muito tempo para chegar de um ponto a outro da cidade.
 Ônibus antigo de La Paz
Porém, isso não tira a simpatia de La Paz. Essa foi a cidade em que eu mais passei tempo (cerca de quatro dias) e posso dizer que fui muito bem recebida. As pessoas que me acolheram estiveram o tempo todo comigo, me dando informações sobre a cidade e a cultura da Bolívia. São muitos os lugares e os sentimentos desse país. Apesar de só ter ficado em uma cidade, percebi como são fortes os costumes aqui e como é imensa, linda e interessante cultura boliviana, que envolve música, festas comidas e histórias.
 Praça no centro da cidade
No meu último dia em La Paz, Albina (a tia do meu amigo me convidou para almoçar na casa dela e costurou bandeiras dos povos originários para mim. Na última parte da viagem, em que eu estava sem as minhas amigas (que voltaram para o Brasil), senti que ganhei uma família boliviana.
 Armando, Albina, Ernestina e Miguel em almoço caseiro
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| 05/05/2008 10:53 |
Calle Sagarnaga e Mercado de Brujas
Por todos os países em que passei nessa viagem era possível encontrar muito artesanato em feiras, em lojas ou nas ruas, mas há um lugar em La Paz em que se vê realmente de tudo. A região da Calle Sagarnaga é cheia de ladeiras e ruazinhas repletas de lojas e mercados de produtos feitos à mão. Andando por ali, vi desde os tradicionais tecidos bolivianos até esculturas em pedras de diversos tamanhos, bolsas, porta-retratos, canetas, ímãs de geladeira. Enfim, tudo o que um turista precisa.
 Rua com lojas de artesanato na região da Calle Sagarnaga
Na mesma área está o chamado "Mercados de Brujas". Não consegui descobri quais as ruas pertencem realmente a essa região, mas trata-se de uma área em que estão à venda animais empalhados e artigos para "bruxaria", muitos importados do Brasil inclusive. São ingredientes usados em simpatias e oferendas. Imagino que algo parecido com algumas coisas de Umbanda e Candomblé que a gente tem aqui.
 Os animais empalhados que estão à venda impressionam no Mercado de Brujas
No meio disso ainda estão ruas muito comerciais com produtos que as pessoas que moram em La Paz realmente compram. São lojas atacadistas de tecido, espécies de "mercadinhos" em barracas na rua que vendem um pouco de tudo, lojas de produtos para a casa e eletrônicos. Nas ruas se vende diversos tipos de maíz e frutas e é possível ver as cholas comendo comida quente como arroz e frango por ali logo de manhã. Elas não gostam de ser fotografadas nem que tirem fotos dos seus produtos, por isso, não poderei mostrar muito aqui.
 É possível encontrar de tudo nessas ruas. Na foto, doces e pipocas
A Calle Sagarnaga e o "Mercado de Brujas" são regiões obrigatórias para quem visita La Paz. Dá para passar muitas horas caçando artesanatos e bugigangas interessantíssimas por ali.
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| 30/04/2008 11:22 |
Turismo numa metrópole
La Paz é caótica e lembra muito São Paulo. Trânsito infernal, hora do rush, centro financeiro, restaurantes, museus, periferia, centro histórico. Tudo ao mesmo tempo. Muito do que se vê na maior cidade brasileira é encontrado em uma outra versão em La Paz. Em alguns momentos a capital boliviana parece melhor e em outros pior do que a nossa metrópole, mas La Paz é peculiar.
 Centro histórico de La Paz
Talvez por ser pequeno, o centro histórico de La Paz é muito bem cuidado. As ruas são limpas e os prédios antigos não estão caindo aos pedaços. A região é cercada por palácios do governo e museus diversos sobre a história e a cultura boliviana. Por apenas 4 bolivianos é possível rodar por cinco museus (quatro deles integrados) que ficam na mesma rua. De máscaras de festas típicas, a tecidos de regiões específicas do país e peças de ouro encontradas em Tiwanaku. Os museus são uma visão geral do que é a Bolívia, neles conhecemos do descobrimento de uma civilização antiga aos costumes mantidos no país ainda nos dias de hoje. Alguns museus têm visita gratuita e outros cobram até cerca de 15 bolivianos.
 Museu de máscaras
Como em qualquer grande cidade, em portinhas e lugares escondidos é possível descobrir milhares de coisas interessantes. Passei por uma espécie de 25 de março, uma feira de livros e comi um quitute delicioso: buñuelos com api. Buñuelo é uma espécie de bolinho de chuva em formato de pizza e api é uma bebida quente feita com dois tipos de maiz, cravo e canela e que chega a lembrar um pouco o gosto do nosso vinho quente. Me senti à vontade comendo isso num cantinho tranqüilo do centro da cidade para depois de uns minutos começar a andar nas ruas agitadas de novo. Nessa hora deu até saudade de casa.
 Um gostinho de Brasil: buñuelo e api
 Ruas do centro à noite
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| 29/04/2008 10:59 |
Ruínas na Bolívia
A essa altura da viagem já não tenho dinheiro nem tempo suficiente para fazer muitos passeios, por isso minha estada na Bolívia se resumirá mesmo a La Paz. O famoso Salar de Uyuni, por exemplo, leva ao menos dois dias para ser visto e custa, no mínimo, 100 dólares. Vai ficar para outra vez. O que é perto, barato e eu não podia deixar de ver são as ruínas de Tiwanaku (ou tiahuanaco). Historiadores acreditam que esse sítio arqueológico seja de uma época pré-inca, entre os anos 1.500 a.C. e 900 d.C. De cara, a arquitetura de Tiwanaku já é muito diferente de Machu Picchu. São detalhes e construções totalmente diferentes das ruínas do Peru. Meus amigos Nancho, Juan e Germán me acompanharam até a cidade que fica perto do lado boliviano do Lago Titicaca, a uma hora de carro de La Paz. Como chegamos no final da tarde, o lugar estava vazio, sem os grupos de turistas. Aqui se pode ver muitos detalhes feitos nas pedras e grandes monolitos esculpidos.
 Ponce, monolito em Tiwanaku que leva o nome do seu descobridor
 Porta do sol, considerada um grande monumento pelos seus detalhes e pela precisão da sua construção
 Cara de monolito
Arqueólogos estão atualmente escavando o local à procura de mais informações sobre Tiwanaku. Dizem que há uma pirâmide enorme soterrada aqui. Um museu em frente ao parque tem uma grande coleção de caveiras, cerâmicas e objetos achados ali. Para ver o museu e o parque é preciso pagar 90 bolivianos (menos de 30 reais). Porém, todas as informações estudadas até hoje são incertas e até o período em que esse povo realmente viveu aqui é indefinido. Além do mistério da descoberta por mais informações dessa civilização tão antiga, a estrada que leva até Tiwanaku é uma atração à parte. Por ela é possível ver uma série de picos nevados da Cordilheiras do Andes. Incrível.
Vista da Cordilheira dos Andes entre La Paz e Tiwanaku
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| 28/04/2008 14:25 |
Hola São Paulo!
Depois de 27 dias em mais de 13 cidades pela América Latina, estou de volta à São Paulo. A intensidade com que as coisas aconteceram fizeram com que tudo ficasse mais emocionante. Nossa média de estadia em cada lugar foi de um a dois dias e passamos mais tempo em ônibus do que em hotéis. Pelas contas, foram mais de 100 horas rodando por estradas.
Apesar da falta de roteiro e planejamento, tudo deu certo e os problemas que tivemos foram por pura bobeira e ingenuidade e vocês puderam acompanhar aqui no blog. Os países que visitei são lindos e totalmente diferentes um do outro. Aqui no Brasil estamos muito perto de todos eles, mas a impressão que fica é que vivemos em um mundo muito distante. Nossa cultura, nossa história e nossos costumes são muito diferentes dos nossos vizinhos. Parece que a Argentina, o Chile, o Peru e a Bolívia têm um laço mais forte entre si por compartilharem a Cordilheira dos Andes, a mesma língua e a mesma história de colonização. E é por isso que nosso continente apaixonante, por ter ao mesmo tempo semelhanças e diferenças. As diversas manifestações de cultura estão em todos os lugares, a comida é instigante e as pessoas são interessantes.
Essa viagem faz parte de todo um ciclo de mudanças para mim. Entre outras coisas, na semana do embarque recebi uma proposta de emprego e uma noite antes de partir, fui assaltada dentro de um banco. Cheguei ao Brasil no final da quinta-feira (17) e desde essa semana faço parte da equipe do site da revista Época São Paulo, também da Editora Globo, que será lançada nesta sexta-feira (26). Aqui também terei um blog e continuarei falando sobre cidades, mas agora será São Paulo mesmo e sobre toda a agitação que rola na noite.
Os amigos, as paisagens e os acontecimentos dessa viagem não ficarão apenas aqui, estarão sempre na minha memória e no meu coração. Para quem pretende fazer esse roteiro, espero ter sido uma companhia e uma referência. Ainda tenho histórias da Bolívia, da América Latina e de tudo para contar. Ainda não acabou. Me acompanhem. |
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| 25/04/2008 10:46 |
O que está escondido por La Paz
Além dos meus anfitriões em La Paz, conheci outras três pessoas que se ofereceram para me mostrar um pouco da Bolívia. Nancho, Juan e Germán são amigos de infância do Miguel (tio do meu amigo que está me hospedando) e sempre se encontram para fazer passeios pela cidade. Como eu estava um pouco sem idéia de onde ir no primeiro dia, eles me convidaram para caminhar em uma montanha pouco visitada por aqui.
O bom de andar com pessoas locais é que eles normalmente te levam a lugares onde não há muitos turistas. A montanha da "Muela Del Diablo" (Dente do Diabo, um pico que pode ser visto de muitos pontos de La Paz) não tinha nenhum. Esse lugar inóspito, pertíssimo da cidade, poderia ser um grande ponto turístico, mas felizmente só é ocupado por um pequeno povoado que vive num lugar chamado Vale Escondido. São grandes montanhas áridas com picos muito altos e finos que se alternam com morros esverdeados. Pelo caminho encontramos cavalos, porcos e burrinhos de uma casa isolada no meio da trilha. Uma hora de caminhada, um piquenique no meio do caminho, novos ótimos amigos e não foi preciso muito para fazer um passeio simples e inesquecível.
Nancho, Juan e Germán. Meus novos amigos
À noite, mudando totalmente de clima, ainda visitei dois pubs conhecidos aqui pela decoração: o Antique Pub e o Diesel. O primeiro fica na parte antiga da cidade, um bairro com prédios históricos, museus e boêmia. Como indica o nome, esse bar tem móveis e muitos objetos antigos que vão desde bonecos a luvas de boxe e bicicletas que já são relíquias. O segundo, Diesel, é todo feito com ferro reciclado e em sua decoração estão desde instrumentos musicais pendurados no teto até uma turbina de avião antiga.
 Um monte de coisas velhas e interessantes no Antique Pub
 Ferro e clima industrial no Diesel
A parte antiga de La Paz me impressionou, é bem cuidada e limpa. Em uma das ruas principais do bairro está a Cruz Verde, uma cruz com luz verde e uma placa explicativa que conta que antigamente os moradores acreditavam que a região era ocupada por maus espíritos. A cruz foi colocada lá para alertar as pessoas do perigo e ao longo do tempo os antigos moradores deixaram o lugar com medo e deram espaço aos museus e à boêmia. Mal cheguei a La Paz, mas parece que há muito para ser visto.
 Cruz verde para alertar sobre maus espíritos
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Quem é a blogueira
Regiane Teixeira, 24 anos, é jornalista e se aventura com duas amigas num mochilão durante um mês pela América Latina.

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